Em entrevista à agência Lusa na cidade cabo-verdiana do Mindelo, ilha de São Vicente, na véspera da XXIV reunião ordinária do conselho de ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Augusto Santos Silva abordou o relatório de atividades do Grupo de Trabalho para Avaliação do Impacto da Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

Segundo a imprensa portuguesa desta semana, o documento contém propostas de alteração ou mesmo a revogação do Acordo Ortográfico.

“Quero chamar à atenção para que o parlamento não aprovou nenhumas recomendações”, enfatizou Augusto Santos Silva, acrescentando que “a opinião de um deputado [autor do relatório] não vale para o parlamento português”.

“Que eu saiba, amanhã [sexta-feira] haverá uma reunião da comissão da Cultura. Vamos ver o que é que o parlamento aprova e, naturalmente, que o Governo considera sempre com muito cuidado tudo o que o parlamento diz”, afirmou o ministro português.

Ainda assim, o chefe da diplomacia portuguesa recordou: “Portugal é um país estimado em todo o mundo, considerado em todo o mundo por muitas qualidades. E uma das qualidades que tem é honrar os compromissos que assume e, portanto, cumprir os tratados e acordos que livremente subscreve, incluindo o Acordo Ortográfico de 1990”.

No âmbito da CPLP, o Acordo Ortográfico de 1990 já entrou em vigor no Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, enquanto Timor-Leste e Guiné-Bissau apenas o ratificaram, sem implementar. Falta ainda a ratificação do acordo por parte de Angola e de Moçambique.

“Nós também devemos ter muito respeito para com os nossos concidadãos, porque neste momento há milhares e milhares e milhares e milhares de crianças portuguesas que aprenderam a nova ortografia e que merecem tanto respeito como merece respeito a memória do meu mestre Vitorino Magalhães Godinho [académico que contestava o Acordo Ortográfico anterior a 1990] que até morrer disse: ‘Fizeram mal em mudar a ortografia’”, concluiu Santos Silva.

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