“No seguimento de dois ciclones e de uma seca severa noutras partes do país, o crescimento económico abrandou para uns estimados 1% em 2019; a economia vai recuperar o fôlego em 2020, com uma expansão de 4,2%, alimentada pelos atuais esforços de reconstrução e pela atividade da construção, bem como pela política monetária”, escreve a EIU.

Numa análise à economia de Moçambique, enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso, os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist escrevem que apesar da aceleração, “a produção de carvão em 2020 vai cair devido às paragens programadas, e a agricultura vai continuar fraca, ainda a recuperar dos ciclones e da seca”.

Em 2021 e 2022 a EIU prevê um crescimento médio de 6,5%, essencialmente à custa da indústria do gás e dos grandes investimentos que estão a ser feito, principalmente no norte do país.

A inflação, por seu lado, vai subir de 2,8% no ano passado para 3,1% este ano, “com o metical a perder valor e o banco central a cortar nas taxas de juro”, e aumenta para 7,8% em 2024, potenciada pela política monetária e pelo crescimento económico propiciado pelos investimentos no gás.

Ao longo dos próximos meses, Moçambique vai “gradualmente recuperar um acesso melhorado aos mercados de capitais, no seguimento da aceitação pelos credores, em setembro, da reestruturação dos 727,5 milhões de dólares [quase 660 milhões de euros] em títulos de dívida soberana” decorrentes da transformação da dívida corporativa da Ematum (Empresa Moçambicana de Atum) em dívida soberana.

No entanto, alerta a EIU, referindo-se aos empréstimos da Mozambique Asset Management e da ProIndicus, “a reputação soberana de Moçambique não vai recuperar completamente enquanto os dois empréstimos sindicados, de mais de 1,1 mil milhões de dólares [quase mil milhões de euros], continuarem em incumprimento financeiro”.

Assim, apontam, “as relações com os doadores vão continuar difíceis e o financiamento vai continuar a ser um aspeto com alguma dificuldade”.

Na análise à economia de Moçambique, a EIU aborda ainda a relação do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que cortou o apoio financeiro na sequência da divulgação da dívida oculta: “Em sentido geral, a ausência de uma reforma abrangente no quadro do FMI significa que as políticas serão casuísticas”.

O acesso limitado a financiamento “vai acabar por forçar o Governo a implementar algumas grandes reformas, como a retirada gradual dos subsídios e a privatização de ativos do Estado”, agora que o executivo está menos preocupado com a resistência à consolidação orçamental, mas os efeitos dos ciclones vão temperar o ritmo e a escala das reformas, concluem os analistas.

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