A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) exprimiu a sua solidariedade para com Moçambique e manifestou a sua disposição para apoiar o país lusófono em relação aos ataques armados que têm atingido a região de Cabo Delgado (norte).

A posição foi hoje expressa pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, no final da reunião do Comité Ministerial do Órgão de Cooperação Política, Defesa e Segurança da SADC, que se realizou por videovigilância a partir de Harare, Zimbabué.

Em declarações à imprensa, o chefe da diplomacia angolana frisou que a situação de Moçambique, no que se refere aos ataques, é a que mais preocupa nesta altura a região.

“Moçambique é um país soberano e não podemos ir com receitas de fora, tem que ser a República de Moçambique a fornecer informações à região, para depois se definir que tipo de apoio que poderá conceder à Moçambique”, disse o ministro das Relações Exteriores de Angola.

Segundo Téte António, “existe vontade política” para fazer face à situação, “porque, na verdade, já não é só uma ameaça à Moçambique, é uma ameaça a toda a região da SADC”.

O governante angolano salientou o encontro abordou a situação de paz e segurança da região, bem como a consolidação da democracia na região austral, afetada por ameaças transversais, que vão desde as mudanças climáticas e calamidades, sendo o terrorismo a mais preocupante,

“É esta que merece mais atenção neste momento, mas também as ameaças migratórias”, frisou.

A província de Cabo Delgado, onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, está sob ataque desde outubro de 2017 por insurgentes, classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como ameaça terrorista.

Em dois anos e meio de conflito naquela província de Moçambique, estima-se que já tenham morrido, pelo menos, 600 pessoas e que mais de 200 mil já tenham sido afetadas, sendo obrigadas a procurar refúgio em lugares seguros.

Além de Moçambique, foi também analisada a situação da República Democrática do Congo, cujo leste do país enfrenta ameaças de grupos rebeldes, a situação no Lesoto e o diferendo fronteiriço entre a Zâmbia e a RDCongo.

“Para o efeito, o órgão decidiu estabelecer um grupo, que vai ajudar esses dois países irmãos a ultrapassar a questão”, disse o ministro.

No que se refere à consolidação da democracia, o chefe da diplomacia angolana avançou que devido à pandemia de covid-19, foram avançadas várias propostas para a observação eleitoral na região, nos países que têm marcadas eleições para os próximos tempos.

“Temos diretrizes de observação de eleições na região, essas diretrizes são elas que definem o desdobramento de observadores no terreno e no caso atual, estamos em plena pandemia, foi preciso vermos como nas próximas eleições que teremos, como na Tanzânia, Seicheles, (…) como é que nós nos adaptamos a este cenário”, salientou.

Segundo o ministro, houve várias opções propostas pelo secretariado, sendo uma delas a observação virtual, através dos embaixadores presentes no terreno.

“Mas a que ficou é que o secretariado vai propor diretrizes para os Estados-membros verem que medidas podem observar para as próximas eleições na Tanzânia e Seychelles”, disse.

A SADC integra África do Sul, Angola, Botsuana, RDCongo, Lesoto, Madagáscar, Maláui, Maurícia, Moçambique, Namíbia, Essuatíni, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabué e Seicheles.

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