“As forças de segurança não devem usar as operações para se vingar dos ataques, atingindo residentes, mas para garantir que o grupo armado é responsabilizado por crimes contra o Direito internacional e violações de direitos humanos em Cabo Delgado”, disse o diretor da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral, Deprose Muchena.

“O povo de Cabo Delgado tem sido vítima de uma violência horrível”, concluiu.

O Governo moçambicano anunciou no domingo que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) do país recuperaram o controle da vila de Macomia, na província norte de Cabo Delgado, e abateram 78 membros, entre os quais dois cabecilhas, dos grupos que a ocuparam entre quinta-feira e sábado.

A incursão aconteceu depois de uma intensificação da violência desde março e que levou à ocupação temporária de outras vilas como Mocímboa da Praia, Quissanga e Muidumbe, com relatos de dezenas de mortes entre civis, insurgentes e militares.

Em abril, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, admitiu “violações involuntárias” dos direitos humanos pelas autoridades em Cabo Delgado.

“Em momentos difíceis como o que atravessamos, somos levados a adotar medidas robustas com vista a defender a nossa soberania e a nossa integridade territorial. Algumas dessas medidas podem involuntariamente propiciar a violação dos direitos humanos”, reconheceu Filipe Nyusi, acrescentando que as denúncias devem merecer a atenção das autoridades.

Cabo Delgado, província onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, está sob ataque desde outubro de 2017, por insurgentes classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como uma ameaça terrorista.

Desde há um ano o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico passou a reivindicar algumas das incursões.

Em dois anos e meio de conflito estima-se que já tenham morrido, no mínimo, 550 pessoas e que cerca de 200 mil já tenham sido afetadas, sendo obrigadas a refugiar-se em lugares mais seguros, perdendo casa, hortas e outros bens.

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