Em comunicado, o ministério anunciou que a artilharia das forças de defesa e segurança disparou sobre esconderijos no sul do posto administrativo de Miangalewa, no distrito de Mocímboa da Praia.

Os membros dos grupos armados “colocaram-se em fuga, tomando diferentes direções, sendo que alguns destes foram neutralizados em Chitolo, Mocimboa da Praia e outros na região de Nova Zambézia, em Macomia”, acrescenta, sem mais detalhes.

Esta é a segunda investida da artilharia moçambicana divulgada pelo Ministério da Defesa em pouco mais de uma semana, no âmbito daquilo que intitula como Plano Operacional no Teatro Operacional Norte.

Na noite de 07 para 08 de outubro, os militares anunciaram ter abatido um “número considerável” de “malfeitores” – designação dada aos elementos dos grupos armados – em Mbau, entre os rios Messalo e Muera, no mesmo distrito de Mocímboa da Praia.

“As operações das Forças de Defesa e Segurança prosseguem e as populações continuam a regressar para as suas povoações, outrora destruídas pelos malfeitores”, conclui o comunicado de hoje.

A zona em causa, umas vezes referida como Nbau outras como Mbau, foi palco de confrontos em 23 de setembro, após um ataque reivindicado pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI), em que terão morrido 10 pessoas e em que foram incendiadas várias casas, incluindo a sede da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder.

O Ministério da Defesa passou a divulgar ações de combate no norte de Moçambique, após dois anos de violência armada em que as autoridades se têm remetido quase sempre ao silêncio.

A região de Cabo Delgado é afetada desde outubro de 2017 por ataques armados levados a cabo por grupos criados em mesquitas da região e que eclodiram em Mocímboa da Praia.

Como consequência já terão morrido, pelo menos, 250 pessoas, quase todas em aldeias isoladas e durante confrontos no mato, mas, nalgumas ocasiões, a violência atingiu transportes na principal estrada asfaltada da região, bem como a área dos megaprojetos de exploração de gás – em que há várias empresas subempreiteiras portuguesas.

Autoridades e analistas ouvidos pela Lusa têm considerado pouco credível que haja um envolvimento genuíno do grupo terrorista nos ataques, que vá além de algum contacto com movimentos no terreno.

A Comissão Nacional de Eleições estima que 5.400 eleitores da região não tenham podido votar nas eleições gerais de terça-feira por terem fugido da área de residência e por terem perdido os seus haveres, incluindo documentos, nas incursões dos grupos armados.

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