O ministro da Defesa de Moçambique exigiu hoje que o exército moçambicano assegure a erradicação de grupos desconhecidos que têm protagonizado ataques no Norte de Moçambique, considerando que se trata de um atentado à soberania do Estado.

“Cabe-vos a tarefa de fazer a vossa parte para assegurar, no conjunto de toda a instituição de Defesa e Segurança, a erradicação dos malfeitores que atuam em alguns distritos da província de Cabo Delgado”, disse Atanásio Mtumuke, falando durante uma cerimónia de encerramento do curso de sargento na província de Maputo.

Para o governante, os ataques, que têm sido registados em Cabo Delgado desde outubro de 2017, colocam em risco a soberania do Estado e ameaçam as “conquistas da independência”.

“Estes crimes hediondos põem em risco as conquistas da nossa nobre e genuína independência, da democracia multipartidária e do Estado do direito democrático que estamos a construir”, referiu.

No seu discurso, Mtumuke destacou ainda a importância do apetrechamento das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) a nível de recursos humanos, técnicos e materiais, considerando que o país atravessa novos desafios e que exigem uma nova dinâmica por parte do exército.

“O apetrechamento das FADM é imprescindível e deve ser permanente como forma de garantir a defesa da soberania e integridade territorial”, concluiu.

Mais de 600 sargentos, apresentados em cerimónia oficial, vão integrar unidades das FADM, como resultado de uma formação na Escola de Sargentos das Forças Armadas (ESFA), no distrito de Boane, província de Maputo.

A região de Cabo Delgado é afetada desde outubro de 2017 por ataques armados levados a cabo por grupos criados em mesquitas da região e que eclodiram em Mocímboa da Praia.

Como consequência já terão morrido, pelo menos, 250 pessoas, quase todas em aldeias isoladas e durante confrontos no mato, mas, nalgumas ocasiões, a violência atingiu transportes na principal estrada asfaltada da região, bem como a área dos megaprojetos de exploração de gás, onde há várias empresas subempreiteiras portuguesas.

Desde junho que o grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico tem reivindicado alguns dos ataques, mas autoridades e analistas ouvidos pela Lusa têm considerado pouco credível que haja um envolvimento genuíno do grupo terrorista que vá além de algum contacto com elementos no terreno.

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