“A informação é falsa, pois as tropas russas não se encontram em Moçambique”, refere uma nota da missão diplomática russa em Maputo, em resposta a questões colocadas pela agência Lusa.

Em causa está a divulgação na Internet, nas semanas anteriores, de textos sobre uma suposta presença militar para apoiar o combate a uma onda de ataques armados que afecta a região há dois anos.

O vice-ministro da Defesa Nacional de Moçambique, Patrício José, em declarações prestadas hoje à Lusa, não confirmou, nem desmentiu as indicações, afirmando que Moçambique mantém “consultas” com vários parceiros no domínio da defesa.

“Esse é um trabalho normal das Forças Armadas, a gente consulta este, consulta aquele”, acrescentou.

Questionada sobre o assunto, a embaixada da Rússia nega ter militares no terreno e muito menos que haja ligação entre o assunto e a visita que o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, realizou à Rússia, em agosto.

Entre os dois governos, “foi celebrado um acordo de cooperação entre os ministérios do Interior dos dois países, de caráter geral”, apontou a nota.

Nenhum dos instrumentos legais compreende o envio de tropas ao território de Moçambique, assinalou a embaixada russa.

A mesma nota adiantou que a deslocação de unidades das forças armadas russas ao estrangeiro requer “o convite do Estado-parceiro”, a assinatura dos respetivos acordos e “a aprovação da câmara alta do Parlamento da Federação da Rússia, como ocorreu no caso da Síria”.

As informações “parecem deliberadamente distorcer a essência verdadeira da cooperação técnico-militar russo-moçambicana”, lê-se ainda no documento.

De acordo com números recolhidos pela Lusa, a onda de violência em Cabo Delgado, desde 2017, já terá provocado a morte de, pelo menos, cerca de 200 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

Os ataques ocorrem na região onde se situam as obras para exploração de gás natural nos próximos anos.

O grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico anunciou pela primeira vez, em junho, estar associado a um dos ataques, mas a Polícia da República de Moçambique disse na altura que a suposta ligação não merecia credibilidade.

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