“Os chamados grupos terroristas têm aumentado a intensidade dos ataques na província de Cabo Delgado”, lê-se num comunicado distribuído hoje.

Aquela agência da UNODC emitiu a nota, na sequência de “consultas de alto nível” que promoveu com quadros do Estado moçambicano, para a elaboração e aprovação do “Plano de ação estratégico abrangente em resposta ao crime organizado, transnacional, drogas e terrorismo”.

Na reunião com as autoridades moçambicanas, o diretor de Prevenção de Terrorismo na UNODC, Massood Karimipor, afirmou que “criminosos e terroristas exploram igualmente a debilidade das fronteiras e da fiscalização em geral, particularmente na província de Cabo Delgado, no norte, para arrecadar fundos, planear e mobilizar atividades criminosas e violentas”.

O UNODC, continuou, está pronto para prestar assistência adicional ao Governo de Moçambique para prevenir e combater o crime e o terrorismo, de acordo com as convenções e normais internacionais”, refere o comunicado.

O representante do UNODC em Moçambique, César Guedes, manifestou preocupação com o aumento da utilização do território moçambicano para o tráfico de drogas, principalmente heroína proveniente de Afeganistão.

“Nos últimos anos, as províncias da região costeira tornaram-se pontos de entrada e saída de mercadorias ilícitas, tais como drogas que chegam do Afeganistão”, disse Guedes, citado no comunicado.

Os crimes contra a vida selvagem e a floresta também foi discutida, uma vez que Moçambique tem sido palco do crime organizado transnacional, que tentam explorar a rica biodiversidade.

“O tráfico de fauna e flora selvagens, juntamente com os crimes na cadeia de valor da pesca, roubam recursos naturais e impedem que uma renda valiosa seja destinada para apoiar o desenvolvimento social e económico de comunidades que dependem de recursos naturais”, lê-se na nota.

“Todos reconhecemos que nas últimas décadas, Moçambique perdeu 80% da sua população de elefantes e que, em 2014-2014, os últimos rinocerontes selvagens foram caçados por criminosos”, afirmou Jorge Rios, que lidera a área de combate aos crimes contra a vida selvagem e floresta na UNODC.

De acordo com números recolhidos pela Lusa, a onda de violência em Cabo Delgado, desde 2017, já terá provocado a morte de cerca de 200 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

Os ataques ocorrem na região onde se situam as obras para exploração de gás natural nos próximos anos.

O grupo `jihadista` Estado Islâmico anunciou pela primeira vez, em junho, estar associado a um dos ataques, mas a Polícia da República de Moçambique (PRM) informou na altura que esta informação não era verdadeira.

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