“A campanha arrancou as 00:00 horas de hoje e vai até ao dia 07 de outubro. Da nossa parte, mantemos os nossos apelos aos partidos, que são os principais atores nesta fase do processo, para que optem pelo civismo”, disse à Lusa o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Paulo Cuinica.

O escrutínio terá a particularidade de ser o primeiro de um novo modelo que resulta das alterações da Constituição. Os líderes das autarquias vão passar a ser escolhidos a partir da lista mais votada para a assembleia municipal, deixando de ser sufragados diretamente em boletim de voto próprio, como se verificava desde as primeiras eleições autárquicas, em 1998.

Após um boicote da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) em 2013, as eleições deste ano vão contar com a participação dos três principais partidos políticos moçambicanos, nomeadamente a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, a Renamo, principal força de oposição, e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Em Maputo, a Frelimo, com seu candidato Eneas Comiche, começa a campanha eleitoral com um comício popular no campo do Bairro Ferroviário, nos subúrbios da capital moçambicana.

A Renamo, por sua vez, arranca com o seu candidato Hermínio Morais numa passeata pelos bairros periféricos de Maputo que começa na sede do partido na capital moçambicana.

O MDM, com o candidato Augusto Mbazo, começa a campanha festejando o feriado nacional pelo Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) na Praça dos Heróis, estando também prevista uma passeata pelos subúrbios de Maputo depois das cerimónias.

A preparação das quintas eleições autárquicas de Moçambique está a enfrentar várias mudanças e tem passado por atribulações.

Duas candidaturas ao município da capital, Maputo, que desafiavam o ?status-quo’ do partido no poder no país desde a independência, caíram por terra.

O principal partido da oposição foi buscar o mediático deputado Venâncio Mondlane ao MDM para tentar conquistar Maputo, mas a CNE afastou-o, considerando ilegal a candidatura, por Mondlane ter renunciado ao mandato na Assembleia Municipal de Maputo em 2015.

A CNE chumbou também a candidatura à capital de Samora Machel Júnior (?Samito’), filho do primeiro presidente moçambicano, que avançou como independente depois de preterido pelo seu partido, a Frelimo.

Ambos recorreram ao Conselho Constitucional, mas o órgão no topo da justiça moçambicana não lhes deu razão.

Está ainda por resolver outro caso, em Quelimane, capital provincial no centro do país, uma das mais importantes do país: o Conselho de Ministros retirou o mandato a Manuel de Araújo, por ter aderido à Renamo durante um mandato para o qual foi eleito pelo MDM.

As eleições autárquicas de Moçambique, as quintas da história do país, estão marcadas para 10 de outubro.

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