O levantamento regular é conduzido pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e a Organização Internacional das Migrações (OIM).

Os dados abrangem as 19.660 famílias – cerca de 95.000 pessoas – que se mudaram voluntariamente para 71 locais de reassentamento, instalados em locais altos com apoio humanitário, sendo que 10.399 agregados provêm daqueles dois distritos.

Um total de 5.707 tem origem em Buzi, um distrito da província de Sofala que se estende até ao oceano Índico, e outras 4.692 famílias são oriundas de Sussudenga, distrito adjacente na província de Manica e que toca na fronteira com o Zimbábue, a poente.

Os dois distritos foram dos que mais sofreram com as inundações que sucederam ao Idai e que formaram um gigantesco lago que cobriu a região e que só desapareceu passados vários dias, provocando centenas de mortos.

Hoje, invariavelmente, a comida continua a ser aquilo que as famílias reassentadas gostariam de ter em maior abundância, de acordo com o levantamento – sendo que a quase totalidade dos locais beneficia de distribuição humanitária, com queixas registadas em zonas de Sussudenga, Dondo e Namacurra.

Alojamento e acesso à saúde seguem-se na lista de necessidades.

Quanto a utensílios, esteiras, lençóis ou algo mais que ajude a dormir, redes mosquiteiras e apetrechos para cozinhar são, por esta ordem, os artigos aos quais aspiram as 95.000 pessoas que se mudaram após o ciclone.

A maioria dos 71 locais de reassentamento onde prevalecem tendas e construções precárias está nas províncias centrais de Manica e Sofala e reúne cerca de 77.000 pessoas, havendo outros três em Tete e 10 na Zambézia com 18.000 pessoas.

As crianças equivalem a 54% da população nestas áreas de reassentamento.

As novas zonas de residência ainda estão sob risco: segundo o relatório, em caso de desastre natural, 51% (8.935 famílias em 36 locais) dos locais de reassentamento tornar-se-á inacessível.

A saúde continua a ser de difícil acesso, sendo que 82% das novas aldeias não tem serviços e a população de caminhar durante mais de uma hora para chegar a uma unidade sanitária.

Dos estabelecimentos de ensino primário acessíveis aos 71 locais de reassentamento, apenas 34% são funcionais, nota o relatório, segundo o qual 77% da população que ocupou estas novas zonas é analfabeta.

O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique em março de 2019, provocou 603 mortos e a cidade da Beira, uma das principais do país, foi severamente afetada.

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