O valor não está incluído no apelo de 3,2 mil milhões de dólares (2,9 mil milhões de euros) que o Governo moçambicano fez em junho para a reconstrução das infraestruturas destruídas pelos ciclones Idai e Kenneth, no centro e norte de Moçambique, dos quais foram prometidos pela comunidade internacional 1,2 mil milhões de dólares (1,09 mil milhões de euros).

Falando no lançamento hoje do pedido de ajuda, a coordenadora-residente da ONU em Moçambique, Murta Kaulard, disse que o montante destina-se a garantir a segurança alimentar das vítimas dos dois desastres naturais e da seca, que afeta o sul, até à próxima sementeira, que se inicia em maio de 2020.

“O plano de resposta humanitário revisto, em apoio ao Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e que apresentamos hoje visa mobilizar cerca 398 milhões de dólares americanos e tem como alvo mais de dois milhões de pessoas que foram as mais atingidas pelo fraco desempenho agrícola”, afirmou Murta Kaulard.

O valor será também canalizado para os setores de saúde, abastecimento de água e educação, acrescentou.

A coordenadora-residente da ONU em Moçambique assinalou que as vítimas dos dois ciclones e da seca continuam numa situação de vulnerabilidade à fome e expostas à próxima época de calamidades naturais.

“É fundamental que atuemos agora e mobilizemos recursos para apoiar as pessoas mais vulneráveis para lidar com os múltiplos choques climáticos”, referiu.

A mobilização dos recursos solicitados hoje não colide com o apelo lançado pelo executivo moçambicano em junho, porque a primeira intervenção visa a continuação da assistência humanitária, com um caráter imediato e urgente.

O apelo feito pelas autoridades em junho tem por finalidade a reconstrução de infraestruturas, a curto, médio e longo prazos e resultou em promessas orçadas em 1,2 mil milhões de dólares.

As verbas da ajuda que a ONU pediu hoje vão apoiar populações das províncias de Sofala e Cabo Delgado, as mais afetadas pelos ciclones Idai e Kenneth, respetivamente, e de Nampula, Manica, Tete, Inhambane e Gaza.

A diretora-geral do INGC, Domingas Maíta, disse que o apelo corresponde ao pedido que o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez, para que Moçambique não seja esquecido, depois da passagem dos ciclones Idai e Kenneth.

“Este apelo de hoje é mais um passo, é mais um processo, para responder àquilo que foi o apelo do secretário-geral disse, para que os moçambicanos não sejam esquecidos”, declarou.

O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique em março, provocou 604 mortos e afetou cerca de 1,5 milhões de pessoas.

O ciclone Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matou 45 pessoas e afetou 250.000.

Mais de meio milhão de pessoas ainda vivem em locais destruídos ou danificados, enquanto outros 70.000 permanecem em centros de acomodação de emergência, segundo o mais recente relatório da Organização Internacional das Migrações (OIM), redigido em julho e que alerta para a falta de condições para enfrentar a nova época chuvosa, que começa em novembro.

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