De acordo com o relatório que explica de forma pormenorizada a melhoria do ‘rating’ do país, anunciada na sexta-feira à noite, a Moody’s antecipa que o rácio da dívida face ao PIB se mantenha acima dos 100% neste e no próximo ano, nos 103%.

“A reestruturação da dívida alivia ligeiramente as pressões de liquidez do Governo, ao reduzir o pagamento dos cupões num valor de 0,2% do PIB”, dizem os analistas, apontando que “o impacto nos rádios da dívida, estimados em 100% em 2018, é muito pequeno dado que há um corte mínimo no valor principal da dívida”.

Na sexta-feira, a Moody’s melhorou o ‘rating’ de Moçambique em um nível, assumindo que a reestruturação da dívida soberana prossegue, mas alerta que o perfil de crédito mantém-se “muito fraco”.

“A Moody’s melhorou a opinião de crédito sobre as emissões de dívida em moeda local e em moeda estrangeira, de Caa3 para Caa2 e manteve a Perspetiva de Evolução Estável”, lê-se na nota, na qual se explica que esta alteração “reflete a melhoria incremental no perfil de crédito de Moçambique, que é ainda muito fraco, no seguimento da reestruturação da dívida”.

No relatório divulgado depois da atualização do ‘rating’, explica-se que “o perfil de crédito de Moçambique vai continuar muito fraco mesmo depois da reestruturação da dívida soberana, motivado pelo elevado nível de dívida governamental, em cerca de 100% do PIB, e por pressões de liquidez”.

Para além disto, “as fraquezas institucionais e económicas deverão persistir mesmo com o Governo a tomar passos positivos para melhorar a governação”.

Apesar do “ligeiro alívio” proporcionado pela reestruturação da dívida soberana, que traz também menos riscos de litigância e boas perspetivas para um acordo financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a longo prazo, concluem, “o crédito é apoiado pela produção de gás natural liquefeito”.

Entre os aspetos que podem melhorar ainda mais o ‘rating’, a Moody’s salienta reformas significativas na governação e uma consolidação orçamental, “sendo que estes dois desenvolvimentos seriam mais prováveis de se materializarem enquanto parte de um programa do FMI”.

Por outro lado, entre os fatores que podem levar a uma descida no ‘rating’, a Moody’s aponta um falhanço no pagamento das prestações da dívida soberana agora reestruturada, ou uma perda acima de 20%, e “atrasos significativos” no início da produção de gás natural liquefeito, prevista para 2023, que poderiam originar um aumento do volume de dívida e resultar numa nova reestruturação.

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