O advogado de defesa de Jean Boustani, principal arguido num caso investigado pela Justiça norte-americana sobre corrupção e fraude económica em Moçambique, perguntou à agente especial do FBI se encontrou provas de pagamentos impróprios ao atual ministro moçambicano das Finanças, ao governador do Banco de Moçambique ou a qualquer membro do parlamento moçambicano.

O advogado Randall Jackson fez estas perguntas à agente especial do FBI Fatima Haque, que apresentou, na quarta-feira, gráficos com pagamentos encontrados pela investigadora provenientes da empresa Privinvest a figuras moçambicanas ligadas anteriormente ao Governo.

As respostas da investigadora foram de incerteza e de negação: “Não tenho a certeza”, “não sei quem são”, ou um claro “não”.

O advogado perguntou à investigadora se sabia quem era Adriano Maleiane, atual ministro das Finanças de Moçambique e se tinha encontrado provas incriminatórias de subornos pagos pela empresa Privinvest, ao que Fatima Haque respondeu que não tinha a certeza.

A pergunta seguinte foi sobre Adriano Ubisse, Diretor Nacional do Tesouro, que, segundo o advogado, esteve envolvido na emissão de títulos de dívida soberanos a troco dos títulos de dívida da empresa Ematumm, mas a resposta voltou a ser: “Não tenho a certeza”.

Randall Jackson mencionou ainda o antigo governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove, ao que a agente do FBI respondeu que não encontrou subornos da empresa Privinvest.

“Existe um parlamento em Moçambique, correto? É verdade que não sabe identificar todos os membros do Parlamento?”, questionou o advogado.

Fatima Haque respondeu: “penso que sim, existe” e “não sei quem são todos os membros”.

A defesa pretendia assim mostrar que Jean Boustani, negociador da empresa Privinvest, não fez pagamento de subornos a estas figuras do Governo que, alegadamente, também estiveram envolvidas na gestão da “dívida oculta” de quase 2,2 mil milhões de dólares (dois mil milhões de euros).

Jean Boustani, detido nos Estados Unidos desde janeiro e em julgamento em Nova Iorque, desde 15 de outubro, é acusado de pagamento de subornos a membros do Governo moçambicano, conspiração para cometer fraude de transferência económica, fraude de valores mobiliários e branqueamento de capitais, acusações que rejeitou e das quais se declarou inocente.

O caso diz respeito a empréstimos internacionais feitas às empresas públicas moçambicanas Ematum, MAM e Proindicus no valor de dois mil milhões de dólares (1,8 mil milhões de euros) para o pagamento dos contratos de serviços assinados com a empresa Privinvest.

As empresas moçambicanas, que deram aos credores internacionais garantias de pagamento do ministério das Finanças de Moçambique, assinadas pelo antigo ministro Manuel Chang à revelia do Governo, entraram em incumprimento, e levaram o país para uma dívida soberana escondida e uma grave crise económica.

Publicidade