A Comissão Nacional de Eleições (CNE) moçambicana prometeu hoje tudo fazer para que seja possível votar para as eleições gerais, na terça-feira, em Cabo Delgado, região alvo de ataques de grupos armados.

“Já temos uma informação relativa às zonas difíceis de Cabo Delgado e devo dizer que tudo faremos para que a eleição ocorra onde for possível e onde não houver nenhum tipo de ameaça à vida”, disse em Maputo, aos jornalistas, Abdul Carimo, presidente do CNE.

Aquele responsável diz que a sua organização vai reunir-se até sexta-feira para “analisar os postos [administrativos] onde existe algum perigo, que não são muitos”, segundo a informação disponível e decidir como atuar.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) garantiu na última semana que todas as mesas de voto previstas vão funcionar na província de Cabo Delgado.

“A polícia estará lá para garantir que todas as pessoas vão poder votar, nos mesmos locais onde se recensearam”, disse Orlando Modumane, porta-voz da PRM, à Lusa.

Os observadores eleitorais de organizações da sociedade civil moçambicana, que têm estado no terreno no último mês, entendem que há “medo generalizado”, o que provoca dúvidas em relação às eleições naquela região.

Em 15 de outubro, 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão escolher o Presidente da República, dez assembleias provinciais e respetivos governadores, bem como 250 deputados da Assembleia da República.

Ataques armados levados a cabo por grupos criados em mesquitas consideradas insurgentes na região eclodiram em Mocímboa da Praia a 05 de outubro de 2017.

Como consequência já terão morrido cerca de 250 pessoas, quase todas em aldeias isoladas e durante confrontos no mato, mas, em algumas ocasiões, a violência já atingiu transportes na principal estrada asfaltada da região, bem como a área dos megaprojetos de exploração de gás – nos quais há várias empresas portuguesas subcontratadas.

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