As acusações de intimidação de eleitores foram sobretudo dirigidas ao partido do Governo, a Frelimo, e, em alguns casos, ao principal partido da oposição, a Renamo, nas províncias de Zambézia e em Nampula, tendo nesta última os observadores da Commonwealth testemunhado ocorrências que deram credibilidade a algumas daquelas alegações.

Mais detalhes sobre as acusações serão publicados no relatório final do grupo, disse o presidente da missão, o ex-vice-presidente queniano Stephen Kalonzo Musyoka, que pediu às vítimas para usarem os canais legais apropriados para apresentar as queixas para que sejam feitas investigações.

“No dia das eleições, as assembleias de voto abriram a tempo na generalidade. Elas estavam equipadas com pessoal e materiais de votação necessários. Embora tenha havido algumas variações na disposição delineada no manual de treino para os responsáveis, o sigilo da votação não foi comprometido. Os procedimentos para a abertura das urnas foram seguidos”, afirmou Musyoka, citado num comunicado

Por outro lado, referiu que em vários casos a presença da polícia nas assembleias de voto violou o limite de 300 metros do perímetro indicado na lei eleitoral, mas também notou que os membros da missão ficaram impressionados com a confiança e o entusiasmo dos responsáveis pelas mesas, dos quais um número significativo eram jovens homens e mulheres.

A missão da Commonwealth foi composta por cinco membros, incluindo académicos e especialistas em eleições, que foram destacados para observar as províncias de Maputo, Nampula, Sofala, Zambézia e Gaza.

Na terça-feira, 13,1 milhões de eleitores moçambicanos estavam recenseados para votarem nestas eleições, podendo escolher o Presidente da República, 10 assembleias provinciais e respetivos governadores, bem como 250 deputados da Assembleia da República.

A lei prevê que o anúncio oficial dos resultados seja feito pela Comissão Nacional de Eleições até dia 30, mas o apuramento de cada uma das 11 províncias deve ser conhecido dias antes.

A Commonwealth é uma organização intergovernamental composta por 53 países-membros independentes. Com exceção de Moçambique, Ruanda e Namíbia, todos os países faziam parte do antigo império britânico.

Moçambique ingressou na Commonwealth em novembro de 1995 como o primeiro país-membro sem vínculos coloniais com o Reino Unido.

Publicidade