O Centro de Integridade Pública (CIP), organização da sociedade civil moçambicana, indicou hoje, com base em relatos dos seus observadores, que uma pessoa terá morrido “baleada e espancada pela polícia no distrito de Nacala-Porto, durante a contagem de votos”.

“A polícia não tem esse registo e, se tivéssemos, seria uma informação relevante”, disse Orlando Mudumane, porta-voz do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique, em conferência de imprensa, em Maputo, negando a ocorrência.

O caso terá ocorrido na Escola Secundária São Vicente de Paulo, Bairro de Ontupaia, na sequência de distúrbios provocados pela aglomeração de pessoas na assembleia de voto montada no local, segundo o CIP.

Um jornalista em Nampula disse à Lusa que se registou alguma confusão no local, depois de populares terem recusado abandonar a assembleia de voto, com o argumento de quererem fiscalizar a contagem de votos.

Segundo relatou, a população incendiou pneus colocados numa das ruas que dão acesso à escola.

A Sala da Paz, uma plataforma de observação eleitoral, disse também ter sido informada sobre a morte a tiro de uma pessoa na mesma escola, na sequência de escaramuças envolvendo populares e a polícia.

O CIP e a Sala da Paz também referiram hoje que a polícia terá usado gás lacrimogéneo para dispersar pessoas que se concentraram na Escola Primária Completa de Namarire, no distrito de Angoche, província de Nampula, norte de Moçambique.

No local, terá havido distúrbios quando simpatizantes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, suspeitaram que os presidentes das mesas de assembleias de voto traziam boletins extra preenchidos a favor da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder.

Pese embora incidentes pontuais, o clima global da votação e contagem de votos das eleições gerais em Moçambique é classificado como tranquilo.

Desde terça-feira, após o encerramento das urnas, que decorre a contagem de votos nas 20.162 mesas em que os moçambicanos votaram para escolher o Presidente da República, 250 deputados do parlamento, dez governadores provinciais e respetivas assembleias.

A lei prevê que o anúncio oficial dos resultados seja feito pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) até dia 30, mas o apuramento de cada uma das 11 províncias deve ser conhecido dias antes.

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