“Apesar do decurso aparentemente tranquilo do dia de votação, os vários ilícitos reportados em todas as sete províncias observadas [pela plataforma] remetem-nos à conclusão preliminar de que os mesmos podem, no seu geral, por todo o país, comprometer significativamente a credibilidade das eleições”, lê-se no relatório preliminar divulgado hoje.

De acordo com a coligação, as situações ilícitas também foram detetadas por outras organizações que observaram a votação e acarretam o potencial de frustrar os cidadãos moçambicanos nos próximos dias e levar a um aumento de tensão.

“Adicionalmente, a decisão dos órgãos eleitorais em apenas publicar os resultados dentro de 15 dias e o silêncio sentido por parte da oposição quanto aos resultados preliminares, podem alimentar ainda mais esta tensão”, refere o texto.

A Plataforma Monitor exemplifica com casos concretos do que considera ilícitos, como a descoberta de dois eleitores com 11 boletins já preenchidos no distrito de Angoche, província de Nampula, além de uma outra pessoa apanhada, no mesmo distrito, com 20 boletins de voto extra.

Nas províncias de Nampula, Zambézia, Sofala e Manica vários eleitores ficaram “frustrados” pelo facto de os seus nomes não aparecerem nos cadernos eleitorais, acrescenta.

No distrito de Angoche, um delegado de candidatura da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) foi vítima de agressão, por ter tentado revistar eleitores suspeitos de estarem na posse de boletins de voto extra, refere ainda a Plataforma Monitor.

A coligação acusa os órgãos eleitorais de terem impedido observadores de exercerem o seu trabalho em várias assembleias de voto.

“Houve casos de membros de mesas de voto, sobretudo delegados dos partidos políticos, que não eram portadores de credenciais, uma infração à lei eleitoral”, refere a Plataforma Monitor.

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