A nova regulamentação para o setor das telecomunicações, aprovada há poucos meses, é um resultado do trabalho da Aliança com entidades do setor e das autoridades para facilitar o acesso e a igualdade do uso das telecomunicações e Internet, mas existem outras ideias.

“Está em curso um trabalho para permitir a partilha de infraestruturas, através de melhor planificação e operação, para que o investimento seja mais coordenado e efetivo, e para que os custos dos utentes sejam inferiores”, disse a responsável à agência Lusa.

O elevado preço das comunicações continua a ser um dos fatores para a exclusão de uma grande parte da população, pelo que algumas das propostas têm procurado identificar “formas mais criativas e interessantes” de reduzirem custos, tornando mais eficiente o uso de recursos dos diversos operadores.

“Em Moçambique existem três operadores e às vezes têm equipamentos ao lado. Podiam não só partilhar, mas expandir a rede para onde não existe infraestrutura, em vez de duplicar na mesma área onde já existe infraestrutura suficiente para competir”, referiu.

Outra área onde a Aliança, que está ligada à Fundação Web, criada pelo inventor da Web, Tim Berners-Lee, para promover o desenvolvimento e acesso da Internet no mundo, é a redução da diferença do acesso entre mulheres e homens.

“Estamos a trabalhar, como em outros países, para assegurar que as políticas públicas tenham consciência dessa diferença. A tecnologia não é neutra, reflete muito as relações de género e as diferenças existentes na sociedade, e esta é acentuada em Moçambique e existe a vários níveis”, disse.

O programa “Direitos das Mulheres Online” está a ser desenvolvido com parceiros no país para reunir dados e fazer uma análise correta da realidade e depois trabalhar com decisores “para que a política pública seja mais consciente da realidade da diferença entre géneros em Moçambique”.

Segundo Sónia Jorge, “Moçambique pode passar a ser visto não como um país pobre, afetado pela corrupção e pela crise financeira, mas como um modelo para a região de África, com medidas interessantes e avançadas”.

A portuguesa, que trabalha em Boston, nos EUA, falava à Lusa a propósito do texto publicado por Tim Berners-Lee hoje para coincidir com o 29.º aniversário da Internet.

No texto, afirma que metade da população deverá estar ligada à Internet este ano, mas o acesso global só vai estar completo em 2042, criticando as desigualdades existentes.

“A divisão entre as pessoas que têm acesso à internet e aquelas não têm aprofunda as desigualdades existentes, desigualdades que representam uma séria ameaça global”, lamentou, referindo que a falta de acesso afeta sobretudo o género feminino, habitantes de zonas rurais e de países menos desenvolvidos.

“Estar ‘offline’ hoje é estar excluído das oportunidades de aprender e ganhar, de ter acesso a serviços importantes e de participar do debate democrático. Se não investimos seriamente na redução deste fosso, os últimos mil milhões [de pessoas] não estarão ligados antes de 2042. É uma geração inteira deixada para trás”, afirmou o britânico.

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