“O Estado vem concedendo este subsídio há cerca de 19 anos, havendo, por conseguinte, necessidade de gradualmente transferir o financiamento do processo para o próprio setor privado”, disse Lúcia António, chefe da Repartição de Análise Económica e Indústria do Incaju, do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Moçambique, citada hoje pelo diário Notícias.

Segundo a fonte, o apoio ao setor industrial do caju está previsto na lei 13/99 de 01 de novembro, que define que a exportação da castanha em bruto está sujeita a uma taxa de sobrevalorização compreendida entre 18% e 22%.

Além da suspensão do subsídio para aquisição de pesticidas, o executivo moçambicano quer maior envolvimento da banca comercial no apoio ao setor, havendo já parcerias com alguns bancos.

“Temos fundos de garantia com o Banco Nacional de Investimentos (BNI) e com o Banco Comercial de Investimentos (BCI), no valor total de 115 milhões de meticais (1,55 milhões de euros)”, afirmou Lúcia António.

Dados da Associação dos Industriais do Caju (Aicaju) de Moçambique indicam que anualmente são produzidas no país cerca de 12 mil toneladas de amêndoas, das quais 4.500 representam “amêndoas partidas”.

Entre 2017 e 2019, o país arrecadou 116 milhões de dólares (103 milhões de euros) da exportação de mais de 80 mil toneladas de castanha bruta, das quais 76% eram destinadas à Índia, país que ocupa o primeiro lugar no ‘ranking’ mundial como maior consumidor de amêndoa de caju.

Além da Índia, os principais mercados são a Europa, os Estados Unidos, Vietname e Líbano.

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