“Temos de eliminar as divisões administrativas, reduzir os armazéns distritais e passar para 30 intermédios”, disse António Assane, diretor da Central de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM) de Moçambique, organismo dependente do Misau, em conferência de imprensa.

Atualmente, os medicamentos destinados a um dos 154 distritos moçambicanos não podem ser transferidos para outro que deles necessite, problema que vai ser corrigido, referiu.

Por outro lado, o Estado espera poupar, de acordo com a avaliação, cerca de seis milhões de dólares (5,3 milhões de euros) por ano.

Com este novo modelo, a responsabilidade e controlo serão feitas ao nível central, pois o medicamento vai sair dos armazéns intermédios diretamente para cada unidade sanitária, disse.

“Tudo isto vai levar a uma melhoria dos serviços. A cadeia está muito fragmentada e temos muitos dirigentes, não há responsabilização e visibilidade”, afirmou.

O Estado projeta uma central de medicamentos, três armazéns regionais nos maiores centros urbanos do país e 30 intermédios que farão fornecimento às unidades sanitárias em menos de dez horas.

A medida faz parte de um plano estratégico aprovado em 2014 e que está a ser testada no distrito de Vilanculos, em Inhambane.

O objetivo da reforma é assegurar que medicamentos vitais, com qualidade aprovada, seguros e eficazes, estejam disponíveis em boas condições, no momento e nas quantidades em que sejam necessárias, ao menor custo possível para os pacientes.

As Nações Unidas estimam que, em média, 10,5% dos medicamentos em países de médio e baixo rendimento (caso de Moçambique) são de qualidade inferior ou falsificados.

O país tem vivido ainda com dificuldades crónicas na reposição de medicamentos: um estudo de 2017 do Centro de Integridade Pública (CIP), organização da sociedade civil moçambicana, detetou casos em que a reposição de medicamentos levou nove meses para ser feita.

O Misau inaugurou há um ano um novo armazém de medicamentos em Nampula, Norte do país, considerado “o mais moderno” da região austral e que resultou de uma doação de 6,7 milhões de euros dos Estados Unidos da América.

Iniciaram-se, igualmente, as obras de outros dois na Zambézia e Manica, Centro do país.

O armazém de Zimpeto, província de Maputo está a beneficiar de reabilitação e ampliação e a entrega será feita neste ano.

Na cidade da Beira também há um armazém que foi reabilitado por conta dos estragos causados pelo ciclone Idai no início do ano.

O CMAM recebe 116 milhões de dólares (148 milhões de euros) do Orçamento de Estado anual para adquirir medicamentos, consumíveis de laboratório, de banco de sangue, vacinas – sendo que procura manter um ‘stock’ de medicamentos para nove meses.

Além deste dinheiro, recebe ainda uma ajuda dos parceiros moçambicanos, que contribuem com 300 milhões de dólares (248 milhões de euros) para medicamentos, materiais e ações de combate à malária, HIV/sida e tuberculose.

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