A Renamo acusa o candidato presidencial da Frelimo, Filipe Nyusi, de tolerar a violência na campanha eleitoral, sobretudo, em Gaza. Entretanto, a Frelimo refuta as acusações e diz que a violência é promovida por pessoas camufladas em “camaradas”

A província de Gaza está a ser um terreno difícil para o périplo eleitoral dos candidatos da oposição. Quer Ossufo Momade, da Renamo, e Daviz Simango, do MDM, viram suas caravanas “atacadas” à entrada na província, por membros e simpatizantes da Frelimo. Episódios dos quais, houve a intervenção da polícia, que em alguns casos atirou ao ar para dispersar as escaramuças.

Para a Renamo, essa violência se agrava, alegadamente, porque o candidato presidencial da Frelimo, Filipe Nyusi, tem tolerado.

“Do que tenho acompanhado como mandatário da Renamo, em todo país, dos cerca de 99% dos casos, ou que estejam na polícia, ou que estejam no tribunal, em todos eles contra a oposição, o denominador comum é o partido Frelimo. Portanto, a Frelimo é o agressor mais presente. Por isso, eu volto a dizer e repito, que o presidente da Frelimo não pode vir com um discurso ‘que não se pode responder às provocações’, porque quem provoca e agride é, justamente, a Frelimo”, disse Venâncio Mondlane.

“Se ele [o candidato da Frelimo] não assume uma posição de refreio aos ânimos dos seus membros do partido; e anda com discurso romântico e dissimulador, significa que ele é o promotor e avalista dessa violência. Tal é o caso do seu silêncio a quando do incêndio à casa da mãe de Manuel de Araújo, em que ele não se pronunciou”, acrescentou o mandatário da Renamo.

Entretanto, a Frelimo recusa todas as acusações e lança a culpa a pessoas que supostamente fazem-se passar por “camaradas”.

“Nós achamos que são pessoas camufladas que querem entrar no processo político para mancharem aquilo que é a campanha da Frelimo. A campanha da Frelimo é de festa e de transmissão de mensagens. Repudiamos toda a violência”, expressou Caifadine Manasse, acusando, igualmente, a Renamo de “verdadeiro rosto fomentador das confusões”.

Face à situação de violência que tende a subir de tom, os órgãos eleitorais mostram-se preocupados e apelam à necessidade de uma campanha ordeira e pacífica.

“Notamos que a campanha estava a decorrer de forma ordeira, com alguns incidentes que são característicos, em algum momento, da campanha eleitoral. Porém, a medida que chegamos ao fim, estamos a notar uma escalada de violência, o que condenamos e, de sobremaneira”, declarou Paulo Cuinica, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Estes pronunciamentos foram feitos a margem do debate dos manifestos eleitorais dos candidatos a Presidente da República, que teve lugar ontem, em Maputo, no evento organizado pelo Instituto para a Democracia Multipartidária.

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