“A nossa perspetiva para 2020 para os bancos mundiais mudou de estável para negativa, refletindo uma tendência de crescimento lento, baixas taxas de juro e condições mais voláteis de operação que irão resultar em maiores desafios para o crédito dos bancos”, pode ler-se num relatório hoje divulgado pela Moody’s.

A agência de ‘rating’ assinala que “um abrandamento na tendência de crescimento a longo prazo, juntamente com um crescente ambiente económico incerto, significam que as perspetivas são negativas para os bancos”.

“O aumento do risco de recessão nos Estados Unidos e na Europa, juntamente com um crescimento lento na região Ásia – Pacífico e nos mercados emergentes, levará a um deteriorar da qualidade de crédito e maiores custos de provisionamento para os bancos”, completa a entidade norte-americana.

A Moody’s afirma também que “um regresso a uma política monetária acomodatícia e o uso de taxas de juro negativas em algumas regiões” adicionam pressões à lucratividade dos bancos.

“Os bancos deparam-se com desafios particulares na passagem de taxas negativas para operadores de retalho. Os bancos com maiores estruturas de custos serão os mais atingidos, reabrindo questões sobre a viabilidade a longo prazo de alguns modelos de negócio”, alerta a agência.

Na Europa, em particular, “a lucratividade vai continuar a ser uma fraqueza no crédito”, segundo a Moody’s.

A agência destaca ainda os riscos políticos, tanto a nível doméstico como internacional, que serão “uma fonte significativa de incerteza”.

“Pelo mundo, uma cada vez maior perspetiva populista está a comprometer a eficácia das políticas domésticas, enfraquecendo a força das instituições e constituindo riscos sociais e de governabilidade”, o que no entender da Moody’s traz maiores dificuldades de operação aos bancos.

No mesmo segmento, a agência de ‘rating’ assinala que “agendas políticas imprevisíveis podem também ter um impacto mais direto, incluindo através do aumento de tributação ou através do uso da regulação bancária para atingir objetivos políticos”.

Relativamente às tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, a Moody’s refere que trazem “consequências negativas aos bancos”, especialmente na qualidade do crédito na banca asiática e americana, afirmando mesmo que no caso de uma escalada na ‘guerra’ comercial “há o risco de uma liquidação nos mercados financeiros”.

A Moody’s assinala também que os custos regulatórios “permanecerão altos em 2020” para os bancos mundiais, que continuarão a constituir ‘stocks’ de dívida, “aumentando a proteção para os depositantes e alguns credores”.

“A pressão sobre os perfis de crédito dos bancos será mitigada pelos seus balanços mais fortes e perfis de risco mais conservadores”, de acordo com a agência de notação financeira, que prevê que “o capital e a liquidez permanecerão robustos em 2020, apesar de menores ganhos e maiores distribuições de dividendos”.

A agência destaca ainda as “tecnologias disruptivas”, que “continuarão a fomentar a inovação em alguns segmentos de negócio, particularmente nos serviços de pagamento”, o que levará a que os bancos tenham que “investir fortemente em inovação digital para defender o seu negócio”.

“O aumento do financiamento sustentável irá cada vez mais colocar os bancos sob pressão para refocar a sua estratégia e modelo de negócio, e para integrar considerações ambientais, sociais e de governança nas suas decisões de investimento”, salienta também a Moody’s.

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