O Museu Coleção Berardo bateu em 2019 o recorde de visitantes, com 1.060.644 entradas, desde a inauguração, há 12 anos, revelou esta quarta-feira fonte do museu, instalado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Contactada pela agência Lusa sobre o balanço dos visitantes no ano passado, fonte da comunicação do museu indicou que 2019 “foi o melhor ano de sempre”.

“Desde a inauguração, em junho de 2007, o Museu Berardo ultrapassou pela segunda vez a fasquia do milhão de visitantes a exposições”, apontou.

Globalmente, de junho de 2007, data da inauguração do museu, até 31 de dezembro de 2019, recebeu um total de 9.476.388 de visitantes em cerca de uma centena de exposições realizadas, segundo a mesma fonte.

Inaugurado em 25 de junho de 2007, o museu esteve no centro de uma polémica devido à coleção que acolhe, pertencente ao colecionador José Berardo, e que três instituições bancárias — a CGD, o Novo Banco e o BCP — pretendem apreender para pagar uma dívida de quase mil milhões de euros.

O museu foi criado na sequência de um acordo assinado em 2006 para cedência gratuita, ao Estado, por dez anos, de 862 obras de arte, avaliadas, na altura, em 316 milhões de euros pela leiloeira internacional Christie’s, mas estima-se que ascenda agora a 500 milhões.

Esse acordo foi prolongado em 2016 por mais seis anos, com a possibilidade de ser renovada automaticamente a partir de 2022, se não for denunciado por qualquer das partes nos seis meses antes do fim do protocolo.

No ano passado, no quadro do diferendo entre o colecionador José Berardo e os bancos credores de quase mil milhões de euros, e após declarações polémicas quando foi ouvido no parlamento, a coleção de arte foi judicialmente arrestada e o CCB é o seu fiel depositário.

Globalmente, na sequência de um processo movido pelos bancos, foram arrestadas 2200 obras de arte do colecionador.

Sobre a coleção que continua patente no CCB, o ex-diretor artístico do Museu Coleção Berardo Pedro Lapa, historiador de arte, disse no ano passado à agência Lusa que é “muito valiosa e muito importante para o país, porque reúne os desenvolvimentos artísticos no mundo ocidental, no decurso do século XX”.

Entre outras, inclui obras muito raras de Jean Dubuffet, Joan Miró, Yves Klein e Piet Mondrian, “de grande valor, a par de muitas outras, que são mais comuns noutros museus, mas muito importantes para o contexto português”, de artistas como Duchamp, Picasso ou Andy Warhol.

Até agora, o ano em que o museu tinha registado mais visitantes foi em 2016, com 1.006.145 entradas, a primeira vez que ultrapassou a fasquia de um milhão.

Na sequência da renegociação do acordo entre o Estado e o colecionador e empresário José Berardo, que prolongou a instalação do museu por mais seis anos, renováveis, as entradas, gratuitas desde a inauguração, em 2007, passaram a ser pagas desde 1 de maio de 2017, mantendo o sábado como dia de entrada livre.

Em novembro de 2016, o Governo e o colecionador José Berardo assinaram uma adenda ao acordo firmado em 2006 para a criação do museu, cujo acordo terminava ao fim de dez anos.

No documento, ambas as partes concordaram em manter o museu no CCB por mais seis anos renováveis, alterando algumas normas, nomeadamente o pagamento das entradas, o apoio financeiro definido bienalmente e a atualização dos espaços ocupados pelo museu, que aumentaram desde 2006.

Desde 1 de maio de 2017 que as entradas passaram a custar cinco euros, com descontos para jovens, seniores e visitantes com mobilidade reduzida, mantendo-se a entrada gratuita aos sábados.

O Museu Coleção Berardo e o Museu de Serralves, no Porto, estão na lista dos 100 museus mais visitados do mundo, segundo as estatísticas do The Art Newspaper, publicação internacional especializada em arte.

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