Uma especialista em cibersegurança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) alertou hoje para os riscos associados à tecnologia móvel de quinta geração (5G) desenvolvida na China e aplicada na União Europeia (UE), pedindo “medidas urgentes” de segurança.

“Existe, obviamente, uma influência legal e política do Estado chinês e do Partido Comunista na indústria tecnológica. Sabemos que as leis chinesas de cibersegurança requerem que as empresas cooperem com os serviços secretos fornecendo informações, estando prevista proteção estatal às companhias que o façam”, afirmou a investigadora do Centro Cooperativo de Excelência em Defesa Cibernética da NATO, Kadri Kaska.

Falando numa conferência sobre resiliência digital promovida pelo centro de reflexão The Lisbon Council, em Bruxelas, a especialista assinalou que “uma das preocupações centra-se no facto de a Huawei estar a liderar a inovação no desenvolvimento da tecnologia 5G”.

“A Huawei tornou-se numa das maiores fornecedoras de tecnologia em todo o mundo e é, inclusive, a única companhia que disponibiliza rede 5G desta escala”, reforçou a responsável.

Kadri Kaska vincou, assim, que “as ligações das companhias tecnológicas ao Estado […] tornam necessário que os Estados adotem medidas de segurança”, nomeadamente na UE.

“Controlar uma infraestrutura desta dimensão significa controlar uma série de dados […], o que cria vulnerabilidades e riscos [para outros países], para as quais são necessárias medidas urgentes”, adiantou.

Ainda assim, Kadri Kaska reconheceu que, apesar das várias suspeitas de espionagem que têm recaído sobre a Huawei, nomeadamente referentes à instalação de portas traseiras nos equipamentos 5G para captação de dados, “nunca houve provas de que a empresa está a usar a tecnologia em prol do Estado chinês”.

“Também temos de ter presente o facto de que nenhuma tecnologia pode ser 100% segura”, disse.

Presente na ocasião, o comissário europeu para a União da Segurança, Julian King, referiu que “a tecnologia é, hoje em dia, uma questão geopolítica”.

“Precisamos de ter uma abordagem europeia para proteger a segurança das redes europeias de 5G porque implica uma massiva troca de dados”, notou.

Em causa estão, segundo o comissário, “infraestruturas críticas da UE”.

Assumida como uma prioridade desde 2016, a aposta no 5G já motivou também preocupações com a cibersegurança, tendo levado a Comissão Europeia, em março deste ano, a fazer recomendações de atuação aos Estados-membros, permitindo-lhes desde logo excluir empresas ‘arriscadas’ dos seus mercados.

Bruxelas pediu, ainda, que cada país analisasse os riscos nacionais com o 5G, o que aconteceu até junho passado, seguindo-se uma avaliação geral em toda a UE para, até final do ano, se encontrarem medidas comuns de mitigação das ameaças.

A Comissão Europeia está agora a ultimar a “avaliação coletiva” do riscos encontrados pelos Estados-membros, devendo publicar esta informação num relatório que será divulgado “nas próximas semanas”, revelou Julian King.

“Depois, avançaremos para a terceira fase [do processo], que é identificar ferramentas para mitigar estes riscos”, adiantou.

A Europa é o maior mercado da Huawei fora da China. De um total de 50 licenças que a empresa detém para o 5G, 28 são para operadoras europeias.

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