“Esperamos um aumento modesto do crescimento do crédito durante este ano, mas outras barreiras ao crescimento vão continuar, e o acesso ao financiamento é genericamente fraco, particularmente para as empresas mais pequenas”, lê-se numa nota dos analistas da revista britânica Economist à imposição do banco central de financiamento nacional.

A nota, com o título ‘Banco central tenta aumentar os empréstimos aos setores produtivos”, enviada aos investidores e a que a Lusa teve acesso, explica que “o Banco Nacional de Angola introduziu uma norma que impõe um nível mínimo de crédito que os bancos têm de dar aos produtores nacionais para apoiar a agenda do Governo de diversificação económica”.

No comunicado de 8 de abril, o banco central angolano refere que as instruções estão expressas no Aviso 4/2019, aprovado na semana anterior, pelo conselho de administração do BNA, em que exige que os bancos concedam créditos, em 2019, de pelo menos 2% do valor total do ativo registado em 31 de dezembro de 2018, com taxas até um máximo de 7,5% (incluindo a taxa de juro anual nominal e as comissões).

“O acesso ao crédito continua fraco, apesar dos esforços do Governo, juntamente com políticas de diversificação económica lançadas pelo Presidente reformista, João Lourenço”, escrevem os analistas da EIU, concluindo: “Acreditamos que esta medida do BNA vai ajudar a aumentar o acesso ao crédito para as empresas que operam ao abrigo dos dois programas, mas os programas de diversificação económica do Governo vão ter um efeito relativamente limitado para além disto, já que os níveis de investimento continuam baixos devido ao fraco ambiente empresarial”.

No novo aviso, o BNA lembra que o Governo angolano lançou recentemente duas iniciativas destinadas a promover a diversificação da economia angolana e, por essa via, reduzir a dependência excessiva da importação de bens e serviços e contribuir para a sustentabilidade das contas externas do país.

Trata-se do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) e do Regulamento da Cadeia Comercial de Oferta de Bens da Cesta Básica e Outros Bens Prioritários de Origem Nacional

“O BNA, com o objetivo de apoiar estas iniciativas, considerou oportuno regulamentar a concessão de crédito pelos bancos comerciais aos produtores nacionais de determinados bens considerados essenciais e cuja produção nacional não satisfaz a procura interna”, lê-se no documento divulgado no princípio deste mês.

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