As edições Albert René que publicam as histórias dos gauleses desvendaram hoje mais alguns detalhes sobre a próxima aventura dos heróis da banda desenhada. Desta vez, Astérix e Obélix vão viver a história “A filha de Vercingétorix”, inspirada num torque, objeto decorativo usado pelos guerreiros gauleses.

Vercingétorix faz parte da história de França como um dos líderes da revolta gaulesa contra Júlio César e já figura noutros livros da saga de Astérix, mas não será ele o personagem com destaque na nova aventura.

A ação vai centrar-se numa nova personagem, a sua filha, e nas personagens tradicionais, conhecendo-se apenas a sombra desta jovem, sem ter sido mostrado qualquer detalhe do seu desenho.

“Esta é uma mulher mais jovem do que as anteriores personagens centrais nos livros como Cleópatra. É uma adolescente que não é da aldeia e, é verdade que os gauleses são guerreiros, mas ela vai dar uma visão mais moderna deste Mundo. A dificuldade de fazer o argumento do Astérix é que temos de escolher personagens fortes, mas que, ao mesmo tempo, não devem ofuscar Obélix e Astérix”, disse Jean-Yves Ferri, argumentista de Astérix desde 2011, na conferência de imprensa que revelou mais pormenores sobre a nova aventura e que aconteceu hoje no Parque Astérix, nos arredores de Paris.

Para além de desvendar o título do próximo livro, a conferência de imprensa serviu para mostrar a primeira página desta nova aventura e dar a conhecer o programa das comemorações do 60.º aniversário da publicação do primeiro livro, que vão decorrer durante todo o ano de 2019.

Para além da publicação do livro a 24 de outubro, haverá também uma coleção de selos dos correios franceses, uma edição limitada de uma moeda de dois euros, uma exposição na Biblioteca Nacional de França e um álbum de homenagem com 60 autores franceses e internacionais.

O secretismo à volta desta nova aventura alarga-se também aos editores de cada país. As edições Asa, que editam os livros de Astérix em Portugal, conheceram o título do novo lançamento pouco tempo antes dos jornalistas: “O álbum é envolto num sigilo absoluto e nós, editores, sabemos a história muito pouco antes de ela ser lançada, apenas o tempo exato para a podermos traduzir”, disse o editor Vítor Silva Mota, em declarações à agência Lusa.

As edições Asa vão receber, mais perto do lançamento, um álbum a preto e branco, a partir do qual será feita a tradução em cooperação estreita com as edições Albert René, que participam e provam as traduções nos vários países.

“Recebemos o álbum sem estar colorido, temos um tradutor oficial que faz a tradução e esta é aprovada pelas edições Albert René, às vezes há algum debate já que um dos grandes atributos do Astérix são os jogos de palavras e esses jogos são de difícil tradução ou intraduzíveis e têm de ser adaptados”, indicou o editor português, que acrescentou ser tudo discutido “à vírgula” com a editora francesa.

A nova aventura terá uma tiragem de 45 mil livros em Portugal e saíra também a 24 de outubro. Segundo a editora Asa, tal como no passado, voltará a haver uma tiragem em mirandês.

Uderzo e René Goscinny revelaram Astérix na revista Pilote em 1959. O primeiro livro, “Astérix, o gaulês”, só saiu em 1961, dando início a uma das mais bem-sucedidas séries de banda desenhada, com mais de 350 milhões de livros vendidos em todo o mundo.

A parceria entre Uderzo e Goscinny terminou em 1977 com a morte do argumentista, mas o nome de ambos foi sempre mantido na assinatura das histórias. Albert Uderzo, de 88 anos, retirou-se da série em 2011 alegando cansaço.

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