“Encaro esta função como uma missão do PAIGC. Na outra função que tinha era primeiro-ministro de consenso, de vários partidos e da comunidade internacional, mas não deixei de ser militante do PAIGC”, afirmou Aristides Gomes.

Aristides Gomes falava na sede do partido, depois de ter tomado posse como primeiro-ministro numa curta cerimónia na Presidência guineense, onde não prestou declarações aos jornalistas.

Do Palácio da Presidência, Aristides Gomes seguiu a pé para a sede do partido, situado ao lado do edifício da Presidência, para se dirigir aos militantes do PAIGC, que aguardavam e aplaudiam.

“Sabem os ataques que sofri, mas o importante era cumprir a minha missão, que era organizar eleições (legislativas) para desbloquear a crise na Guiné-Bissau”, disse Aristides Gomes, garantindo aos militantes do partido que vai cumprir o programa do PAIGC.

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) explicou hoje que indiciou o nome de Aristides Gomes para o cargo de primeiro-ministro da Guiné-Bissau em “nome da paz” e da estabilidade do país.

“Em nome da paz e da permanente preocupação com a estabilidade política da Guiné-Bissau, o PAIGC indicou o nome do atual primeiro-ministro Aristides Gomes para a manutenção do cargo”, refere o partido numa mensagem publicada nas redes sociais.

“Cientes de que o regime JOMAV (nome pelo qual é conhecido o Presidente guineense, José Mário Vaz) é insensível ao sofrimento do nosso povo, manteremos a nossa luta no campo democrático para que possamos tirar pela via das urnas os inimigos do nosso povo dos cargos que jamais souberam honrar”, acrescenta na mensagem o partido guineense.

O PAIGC venceu as eleições legislativas de 10 de março e tinha indicado o nome do seu líder, Domingos Simões Pereira, para o cargo de primeiro-ministro, mas o Presidente guineense recusou.

“Persistem divergências que estiveram na origem da crise que o país viveu recentemente e acrescido de apelos à sublevação militar, à falta ao dever de respeito institucional, consubstanciados em insultos, impropérios e inverdades dirigidas à pessoa com quem o referido candidato pretende trabalhar no mais alto quadro institucional da República”, pode ler-se numa carta enviada pelo Presidente guineense ao partido.

O PAIGC tinha inicialmente anunciado que iria voltar a apresentar o nome de Domingos Simões Pereira, mas depois de uma série de encontros internos o partido terá decidido avançar com o nome de Aristides Gomes, mas não o anunciou publicamente.

O Presidente guineense nomeou hoje Aristides Gomes primeiro-ministro, continuando assim no cargo que já ocupava desde abril de 2018.

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