A ilha do Sal, a mais turística do arquipélago cabo-verdiano, tem empreendimentos em curso para novos hotéis, de grupos internacionais, que vão aumentar nos próximos meses a capacidade de camas em 30% e 750.000 dormidas anuais.

O cenário foi traçado em entrevista à agência Lusa, na cidade de Santa Maria, pelo Presidente da Câmara Municipal do Sal, Júlio Lopes, apontando que além dos tradicionais turistas britânicos, que lideram na procura por Cabo Verde, e dos portugueses, franceses, alemães ou italianos, o mercado nacional está também a receber “cada vez mais” turistas brasileiros.

“As projeções indicam que daqui a poucos anos, o Sal atingirá um milhão de turistas por ano”, começa por afirmar o autarca da única Câmara da ilha e que é também a que apresenta o mais alto PIB per capita de Cabo Verde.

Na ilha do Sal, os turistas encontram praias paradisíacas, 340 dias de sol por ano, águas tépidas e todo o tipo de desportos associados, de aventura aos aquáticos e mesmo o mergulho.

O turismo, além do emprego, conta Júlio Lopes, tem permitido a reabilitação da ilha, com “impactos positivos” na vida das pessoas e no emprego, onde toda a gente vive direta ou indiretamente do sector.

“Melhorar o bem-estar da nossa população. Esse é o objectivo”, afirma.

Segundo o autarca, a instalação em curso do ‘hub’ do Sal pela companhia Cabo Verde Airlines, para os voos entre África, Europa e América, com o respetivo programa de ‘Stopover’ [paragem entre viagens aéreas] está a contribuir para esta nova dinâmica do turismo local e nem o Brexit e uma eventual travagem a fundo nos gastos dos turistas britânicos motiva, para já, preocupação no Sal.

“As perspetivas não têm nada de negativo. Poderá haver, não sei, algum problema, mas o mercado retoma”, garantiu Júlio Lopes, dando como o exemplo as recentes preocupações levantadas com a falência da operadora Thomas Cook, um dos maiores fornecedores de turistas a Cabo Verde.

“Continuam a voar para cá [filial escandinava] e o Sal não teve nenhum impacto negativo de relevo”, explicou.

A confiança de Júlio Lopes é reforçada com os investimentos internacionais em curso em novos hotéis no Sal, como o terceiro do grupo RIU naquela ilha, já em construção e com uma capacidade prevista de 2.000 camas, ou ainda o novo Robinson Club, de 600 camas e inauguração prevista já para 14 de Dezembro próximo.

Apontou ainda, para justificar a previsão de crescimento a curto prazo de 30% nas camas disponíveis no Sal e a perspetiva de a ilha chegar a entre 750.00 a 800.000 dormidas anuais, o novo hotel da marca Radisson, de 240 camas, ou o do grupo espanhol Barceló, com previsão de conclusão de cinco meses, além de novos investimentos do grupo português Oásis.

“E depois há hotéis que estão a fazer remodelações e outros investimos em curso. Isto não para”, afirmou.

Garantiu igualmente que o fim da “barreira dos vistos” por Cabo Verde, que desde o início do ano passaram a ser atribuídos à chegada, nos aeroportos internacionais, tem motivado o crescimento de turistas portugueses, até mesmo com a “compra de segunda habitação”, mas também de outros países europeus.

Acrescenta que para as próximas semanas está já programada a visita ao Sal de uma delegação de agências de viagens russas. Atrair os turistas norte-americanos, a pouco mais de seis horas de viagem do Sal, é outro objetivo.

A intenção é também “procurar turistas que não conhecem Cabo Verde”, afirmou Júlio Lopes, garantindo que as perspetivas para o turismo do Sal “são muito boas”.

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