No discurso na 73.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, Teodoro Obiang referiu que a “transição para um sistema multipartidário”, iniciado em 1992, “tem sido caraterizado por uma abertura democrática inclusiva”.

O chefe de Estado equato-guineense, membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), disse que tem existido “um diálogo permanente, aberto a todos, de tal maneira que, em 1992, foram reconhecidos 14 partidos políticos e que, hoje, cresceu o número para 18”.

Obiang, que proferiu o discurso na sessão magna da ONU em castelhano, lembrou a realização “de seis rondas” no processo de diálogo nacional, com partidos políticos e também com instituições religiosas e grupos da sociedade civil. A última das seis reuniões do diálogo nacional realizou-se em julho último, mas sem a presença dos líderes da oposição, por temerem pela sua segurança.

“O resultado foi o reconhecimento de novos partidos políticos nas reformas constitucionais e demais leis reguladoras das liberdades públicas”, disse, no discurso de hoje, acrescentando que atualmente o poder no país está limitado “a dois mandatos presidenciais sucessivos”.

O esforço de diálogo nacional “criou um ambiente de confiança entre as forças políticas da nação” para o desenvolvimento do país.

“O Governo está a programar a terceira fase da Conferência Económica Nacional, a fim de conduzir o plano de desenvolvimento económico e social previsto inicialmente para 2020”, afirmou.

Obiang apelou “à cooperação dos países amigos e à assistência multilateral, para que se juntem aos esforços do Governo, orientados atualmente a diversificar as fonte de produção, a industrialização e o desenvolvimento dos setores produtivos da economia nacional, assim como a rentabilização das infra-estruturas existentes”.

O chefe de Estado da Guiné-Equatorial salientou que as Nações Unidas “não devem ser apenas um fórum de diálogo, mas também um fórum de intercâmbios cooperativos para promover o desenvolvimento da humanidade”.

Obiang, de 76 anos, foi reeleito em 2016 para um quinto mandato presidencial com 94% dos votos, num ato eleitoral que ficou marcado por acusações de fraude eleitoral.

A governação de Obiang é frequentemente alvo de fortes críticas por parte de organizações de direitos humanos, que acusam o regime da Guiné Equatorial de repressão política, de intimidação de organizações independentes da sociedade civil e dos ‘media’, bem como de atos de corrupção.

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