“Ele foi um pai para mim e foi ele que me ensinou tudo”, disse à Lusa Hermínia Lemos, sobrinha de Marcelino dos Santos, dizendo que perdeu “um pai muito carinhoso”.

Marcelino dos Santos morreu aos 90 anos, em Maputo, no dia 11 de fevereiro, vítima de doença prolongada, e a sua urna foi hoje colocada na cripta central do monumento aos Heróis Nacionais, em Maputo.

Albino Chissano, antigo oficial do exército, recordou um “revolucionário” empenhado, um líder que procurou sempre partilhar os seus conhecimentos.

“Ele fez com que o mundo inteiro conhecesse a revolução. Eu estava afeto a um grupo [militar] em Nampula [norte de Moçambique] quando ele veio partilhar os seus conhecimentos com o nosso grupo. Ele explicou-nos por que é que a Frelimo decidiu pegar em armas para combater o regime colonial português”, recordou, acrescentando que Marcelino dos Santos inspirou uma geração.

Após o velório no salão nobre do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, a urna de Marcelino dos Santos jaz agora junto às do independentista Eduardo Mondlane e do primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel, entre outras figuras.

Centenas de pessoas afluíram  à Praça dos Heróis para se despedir de Marcelino dos Santos, num ritual marcado por honras militares e cânticos de exaltação aos heróis moçambicanos.

Natural de Lumbo, junto à Ilha de Moçambique, na província de Nampula (Norte do país), Marcelino dos Santos  fez parte com Samora Machel e Uria Simango do “triunvirato” que chefiou a Frelimo após a crise aberta com o assassínio de Eduardo Mondlane, em 1969.

Após a independência, exerceu entre outros cargos o de presidente da Assembleia da República de Moçambique, entre 1986 e 1994, último lugar institucional que ocupou, apesar de continuar na vida política.

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