A celebrar este ano 50 anos de carreira, António Ole tem presentes dois quadros, “Rakung”, de 2017, avaliado entre 12.000 e 18.000 libras (13,5 mil e 20,2 mil euros), e “Conversa Interrompida”, de 2017, de valor estimado entre 4.000 e 6.000 libras (4,5 mil e 6.7 mil euros).

Natural de Luanda, onde nasceu em 1951, estudou cultura afro-americana e cinema na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e tem desenvolvido, ao longo da sua carreira, “um trabalho eclético com recurso ao desenho, pintura, colagem, instalação, fotografia, vídeo e cinema”.

O artista tem como inspiração a arte tradicional “para desenvolver um discurso contemporâneo adequado ao seu tempo e circunstância”, atravessando toda a sua obra “os diferentes modos de utilização das práticas expressivas clássicas africanas”.

Em 2016, a Fundação Calouste Gulbenkian dedicou a Antonio Olé a retrospetiva “Luanda, Los Angeles, Lisboa”, que esteve patente no Centro de Arte Moderna até janeiro de 2007.

De Cristiano Mangovo estão para leilão dois quadros, “Zungueiras de Cana de Açúcar”, “Dia de Felicidade”, ambos de 2019 e avaliados, cada um, entre 5.000 e 7.000 libras (5,6 mil e 7,9 mil euros).

Nascido na cidade de Cabinda, em Angola, em 1982, vive entre Lisboa e Luanda, é formado em pintura pela Faculdade de Belas Artes de Kinshasa (RDC) e tem formação adicional em cenografia urbana e `performance`.

Em 2014, foi galardoado com o Prémio Mirella Antognoli pela Embaixada Italiana e pela Alliance Française, e com o prémio angolano ENSA Arte, que o levou à residência na Cité Internationale des Arts, em Paris, resultando numa exposição individual na capital francesa.

Bertina Lopes está representada no leilão com dois óleos, “Sem título”, de 1981, avaliado entre 5.000 e 7.000 libras (5,6 mil e 7,9 mil euros), e “Sem título”, de 1960, avaliado entre 4.000 e 6.000 libras (4,5 mil e 6.7 mil euros).

Natural de Maputo (1924-2012), consagrou-se artisticamente através da pintura e da escultura, tendo arrecadado, ao longo da sua carreira, numerosos prémios e realizado várias exposições em países como Portugal, Estados Unidos, Itália e Grécia.

O fotógrafo Mário Macilau tem no leilão duas obras, “Alito, The Guy with Style, Moments of Transition”, de 2013, de valor estimado entre 2.000 e 3.000 libras (2,2 mil e 3,3 mil euros).

Esta imagem, que mostra um jovem bem vestido da capital moçambicana, esteve numa exposição com artistas africanos da nova geração no Museu Guggenheim de Bilbao em 2015.

Auto-didata nascido em Maputo em 1984, Mário Macilau é fotógrafo profissional desde 2007, e os seus projetos são habitualmente realizados a longo prazo, sobre matérias sociais e políticas, como os direitos humanos e condições ambientais.

De Malangatana Ngwenya vão a leilão “Matalana”, de 1970, avaliado entre 10.000 e 15.000 libras (11,2 mil e 16,8 mil euros) e “Sem título”, avaliado entre 6.000 e 8.000 libras (6,7 mil e 9 mil euros), este último produzido para o pavilhão de Moçambique na Exposição Universal de Sevilha, em 1992.

Malangatana Valente Ngwenya, falecido em Matosinhos, em 2011, aos 74 anos, foi um dos mais conhecidos artistas plásticos moçambicanos, tendo sido agraciado com a medalha Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, atribuída pelo Estado português.

Além das artes plásticas, foi poeta, ator, filantropo e deputado da FRELIMO, partido no poder em Moçambique desde a independência.

O primo Ernesto Shikhani está representado no leilão com três quadros, “A Chave do Papa para África”, de 1988, avaliado entre 6.000 e 8.000 libras (6,7 mil e 9 mil euros), “Sem título” de 1993 e “Sem título” de 1995, cujo valor foi estimado individualmente entre 2.000 e 3.000 libras (2,2 mil e 3,3 mil euros).

Do mesmo artista, que morreu em 2010, aos 76 anos, está para venda uma escultura, “Coruja`, de 1989, avaliada entre 2.000 e 3.000 libras (2,2 mil e 3,3 mil euros).

Nascido em 1934, nos arredores de Maputo, foi pastor até aos 16 anos, tendo-se dedicado mais tarde à escultura, no Núcleo de Arte e, depois, na antiga Escola Industrial Mouzinho de Albuquerque. A partir de 1970 dedicou-se também à pintura.

Entre os 103 lotes do leilão, destacam-se ainda obras do nigeriano Ben Enwonwu, dos sul-africanos Gerard Sekoto, William Kentridge, Jacob Hendrik Pierneef e dos congoleses Eddy Kamuanga Illunga e Bodys Isek Kingelez.

O leilão coincide com a realização, este mês (03-06 outubro), em Londres, das feiras de arte contemporânea Frieze e 1:54, dedicada exclusivamente a arte africana.

Publicidade