“É chegado o momento de passarmos da gestão das crises à preparação para as secas, introduzindo mudanças que reforcem a capacidade de resiliência e de adaptação das populações a situações futuras”, apontou a líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

Janira Hopffer Almada discursava no parlamento cabo-verdiano, na abertura do debate com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, sobre “Os desafios de Cabo Verde face às mudanças climáticas e aos choques externos”.

Para a líder partidária, no contexto das mudanças climáticas, em que as secas ameaçam ser mais generalizadas, intensas e frequentes, Cabo Verde, na sua condição de país de rendimento médio, deverá passar a contar com os seus próprios recursos para fazer face aos riscos.

A deputada disse que o país deve levar em conta que é ecologicamente frágil e de parcos recursos, pelo que deve reforçar as orientações estratégicas de aproveitamento e exploração sustentável dos recursos naturais.

“E, para isso, são precisas medidas de conservação de recursos naturais (numa perspetiva de otimização) e reformas institucionais, para melhorar a capacidade de resposta”, acrescentou a dirigente partidária, sublinhando que o país enfrenta três anos consecutivos de seca.

A presidente do maior partido da oposição cabo-verdiana apontou ainda que o país precisa assegurar o acesso à água e ao saneamento, bem como alargar as áreas protegias, investir “seriamente” no ordenamento do território e apostar nas energias renováveis.

“Para nós, um país que quer fazer face às mudanças climáticas e ambiciona o desenvolvimento sustentável tem de apostar nas energias renováveis, com ambição de, até 2030, alcançar 100% de penetração”, prosseguiu, dizendo que o Governo deve incrementar a microgeração e apostar em parcerias público-privadas para aumentar os parques de produção de energias limpas.

A presidente do PAICV pediu ainda ao Governo para agir a tempo e gizar políticas para gerir os impactos das mudanças climáticas, aumentando a resiliência e a adaptabilidade da sociedade.

Por sua vez, o líder parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD, no poder), Rui Figueiredo Soares, notou que Cabo Verde continua exposto a riscos ambientais globais e mudanças climáticas, para que pouco ou nada contribuiu, mas que sofre as consequências.

Apontando as fragilidades de Cabo Verde, o deputado do partido no poder considerou que as alterações climáticas podem “pôr em causa o processo de desenvolvimento” do país.

Rui Figueiredo Soares indicou que o Governo tem em curso uma agenda de resiliência para combater os efeitos negativos dessas alterações e construir uma economia sustentável e inclusiva.

Perante os impactos negativos dos choques externos e das mudanças climáticas, o deputado advogou um “amplo entendimento” entre os poderes públicos, a sociedade civil e os parceiros internacionais.

O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), a terceira força política no parlamento, António Monteiro, disse que Cabo Verde é um país que tem um impacto reduzido na poluição da atmosfera, mas salientou que mesmo assim não pode “cruzar os braços”.

Tendo em conta que Cabo Verde é um país que “a todo o momento” sobre das intempéries, o deputado considerou que o Governo deve ter uma “atitude proativa” para poder influenciar pela positiva e mostrar ao mundo que é possível fazer algo diferente para o mundo.

A discussão com o primeiro-ministro é um dos pontos da segunda sessão ordinária da Assembleia Nacional de outubro, que decorre até quinta-feira, e que tem como outro ponto alto o debate sobre a situação da Justiça.

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