“Os produtores agrícolas e pequenos empreendedores da província de Cabo Delgado poderão beneficiar, em breve, de um fundo de garantia e de um mercado grossista local para a comercialização dos seus produtos”, anunciou hoje a Fundação Universitária para o Desenvolvimento da Educação (Funde), da Universidade Politécnica de Moçambique, em comunicado.

A auscultação de potenciais beneficiários e o trabalho no terreno para erguer as iniciativas está a ser feito através do programa Work 4 Progress (W4P), promovido pela fundação La Caixa e liderado em Moçambique pela Fundação Ayuda en Acción, em colaboração com o Funde.

O W4P tem intervenções também na Índia e Peru e visa impulsionar plataformas integradas de desenvolvimento público-privado para o fomento do emprego de qualidade entre mulheres e jovens vulneráveis.

Em Cabo Delgado, estão a ser criados modelos de atividades agrícolas com diferentes atores, como o setor privado e a universidade, para se decidir quais serão executados, explicou Jaime Diaz, coordenador do W4P em Moçambique.

Os modelos já esboçados incidem sobre a horticultura e produção de grãos.

“Temos ainda dois modelos, que ainda não foram aprovados, mas que achamos interessantes: a criação de um mercado grossista local, para a venda de produtos agrícolas, e a constituição de um fundo de garantia, para assistir produtores e pequenos empreendedores”, frisou.

Narciso Matos, reitor da Universidade Politécnica, espera que “dentro de cinco anos, o W4P seja melhorado e replicado noutras partes do país”.

O objetivo final é que mulheres e jovens de Cabo Delgado “melhorem as suas condições de vida, com a criação de novos empregos e profissionalização dos camponeses, que trabalham por conta própria”, destacou Marta Salsona, dirigente da Fundação La Caixa.

A produção agrícola das famílias em Cabo Delgado, virada sobretudo para o autossustento, tem estado sob pressão devido aos ataques armados a aldeias remotas da região, que ocorrem há cerca de um ano.

A onda de violência tem feito com que muitos residentes abandonem as suas propriedades, refugiando-se em vilas.

Um relatório de final de setembro da Rede de Sistemas de Alerta Antecipado de Fome (FEWS Net, sigla inglesa), consultado pela Lusa, concluiu que, em vez de haver um “risco mínimo” de insegurança alimentar, passou a haver “uma situação de ‘stress’ em áreas afetadas pelos ataques.

Numa escala de insegurança alimentar de 01 a 05 (de risco mínimo até fome, respetivamente), a rede coloca a zona litoral da província de Cabo Delgado no nível dois, mas se os ataques continuarem “podem surgir sinais de nível 03 (crise)”.

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