O presidente da Comissão Política Regional de Santiago Sul do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) considerou esta segunda-feira que é um retrocesso o fim do voo direto da Cabo Verde Airlines (CVA) entre Praia e Lisboa.

“Estamos perante uma machadada no processo de desenvolvimento de Santiago, num caminho claro de desconstrução de Santiago, que vem sendo operado por esta maioria”, sustentou Carlos Tavares, em conferência de imprensa, na cidade da Praia.

Na semana passada, a transportadora aérea Cabo Verde Airlines (CVA) anunciou o fim do voo direto entre Praia e Lisboa, cinco meses depois do lançamento, decisão que a companhia justificou com o objetivo de dinamizar o “hub” na ilha do Sal.

Para o dirigente regional do PAICV, a medida vai implicar mais custos aos passageiros, dificultar as exportações e afetar o turismo na maior ilha de Cabo Verde. “Não serve os passageiros da Praia, de São Domingos e de Ribeira Grande e nem os passageiros dos restantes concelhos de Santiago, que é a ilha com maior peso demográfico e económico do país”, mostrou Carlos Tavares. Também apontou outros transtornos, como aumento das horas de espera, pernoita e transbordo de cargas, e implicações na competitividade regional.

Entendemos que, para além daquilo que é o ‘hub’, tem de se prever a existência de voos diretos para os destinos mais importantes para os passageiros com origem e destino em Cabo Verde, como é o caso de Praia, São Vicente e Boavista”, apontou.

Neste sentido, o dirigente regional pediu a intervenção do Governo para corrigir a situação e estranhou o silêncio do presidente do Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, perante essa situação que considera lesiva para a capital do país e para toda a ilha de Santiago.

A companhia anunciou anteriormente o reforço das ligações a Lisboa, a partir da Praia, com início em 30 de agosto de 2019, data da entrada ao serviço de um Boeing 737-300, além dos voos regulares que já garantia para a capital portuguesa a partir da ilha do Sal. Contudo, conforme esclarecimento pedido pela Lusa à CVA, companhia desde março de 2019 liderada por investidores islandeses, na sequência da privatização de 51% do capital social da Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV), esta ligação regular foi terminada no mês passado.

“Os voos Praia — Lisboa deixaram de ser diretos desde o dia 04 de fevereiro, passando a ser apenas via Sal”, explicou, numa declaração à Lusa, Raul Andrade, vice-presidente da companhia para a área comercial e de marketing.

Assim, de acordo com a companhia, os voos da capital cabo-verdiana para Lisboa regressaram ao modelo anterior a 30 de agosto de 2019: “Os clientes têm de comprar bilhetes Praia-Sal e Sal-Lisboa e vice-versa”. A companhia aérea portuguesa TAP volta assim a ser a única a ter voos regulares diretos entre as duas capitais.

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