Na quinta-feira, um grupo de partidos políticos guineenses, incluindo o PRS (segunda maior força política da Guiné-Bissau e que faz parte do atual Governo), pediu a demissão da ministra da Administração Territorial por alegadas irregularidades no processo eleitoral em curso no país.

“Na conferência realizada ontem (quinta-feira) foi notória a incapacidade de o PRS acompanhar a dinâmica científica do processo de recenseamento, tendo-se mostrado incapaz de apontar um único facto de alegada fraude, que vem apregoando”, afirma, em comunicado divulgado à imprensa, o PAIGC.

Para o PAIGC, na conferência de imprensa, o PRS limitou-se a “apontar generalidades e a por em causa a seriedade de países e organizações amigas da Guiné-Bissau que, à custa de muito sacrifício, vêm contribuindo para a normalização da vida política, económica e social” da Guiné-Bissau.

Na quinta-feira, o deputado e dirigente do PRS, Sola N’Quilin, pediu a demissão imediata da ministra da Administração Territorial.

O dirigente do PRS afirmou que se até terça-feira o Presidente da República e o primeiro-ministro “não tomarem medidas para acabar com isto” vão todos sentar-se na Presidência.

“Queremos chamar a atenção da CEDEAO (Comunidade Económica dos Países da África Ocidental) que este povo é soberano e não é possível manipularem eleições na Guiné-Bissau”, afirmou Sola N’Quilin, recebendo os aplausos das dezenas de pessoas que assistiram à conferência de imprensa.

O PAIGC lembra que o “improvisado porta-voz do PRS foi ministro da Administração Territorial durante três anos e foi incapaz de realizar uma única atualização do caderno eleitoral, o que está também subjacente ao caos em que hoje o PRS pretende colocar o país, com objetivos inconfessos”.

O Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral da Guiné-Bissau apelou à opinião pública para fazer recurso aos meios legais existentes para qualquer esclarecimento do processo eleitoral e declinou a “campanha de desinformação que alguns atores políticos têm posto a circular sobre a fiabilidade do processo”.

As legislativas na Guiné-Bissau estavam marcadas para 18 de novembro, mas dificuldades técnicas e financeiras levaram a atrasos no início do recenseamento, que acabou por ter de ser prolongado para além da data prevista para a realização das eleições.

O Presidente guineense, José Mário Vaz, anunciou já que só marcará a nova data das legislativas após o recenseamento estar completo.

O Governo guineense tem apelado a todos os cidadãos eleitores para fazerem o seu recenseamento para participarem nas eleições.

A maior parte das despesas relacionados com o processo eleitoral na Guiné-Bissau estão a ser financiadas pela comunidade internacional e a Nigéria foi quem deu os “kits” para recenseamento biométrico dos eleitores ao país.

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