Num comunicado, divulgado na segunda-feira à imprensa e que a Lusa teve hoje acesso, Cipriano Cassamá “repudia os sistemáticos atos de agressão física, coação e privação da liberdade de cidadãos guineenses e agressão ao seu património”.

O presidente da Assembleia Nacional Popular exige também que a Constituição seja cumprida, bem como outras leis do país no “concernente a eventuais suspeitas de cometimento de infrações contra instituições da República, a ordem pública e a paz social”.

Cipriano Cassamá pede ainda o “cabal esclarecimento do Governo, através do Ministério do Interior, sobre as intervenções das forças policiais” e que sejam realizados inquéritos à sua atuação para serem responsabilizados.

“Os órgãos e as instituições da República devem obediência aos ditames da Constituição e devem agir no sentido de respeitar os direitos, liberdades e garantias fundamentais nela previstos e preservar a paz e a estabilidade social”, salienta Cipriano Cassamá, no comunicado.

No sábado, um membro do comité central do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), o empresário Armando Correia Dias, foi detido pelas forças de segurança, sem mandado e sem ter sido notificado pelas autoridades.

O Ministério do Interior esclareceu que Armando Correia Dias foi detido em “flagrante delito” na posse de armas de uso militar.

Armando Correia Dias foi detido quando estava acompanhado do antigo secretário de Estado Anaximandro Zylene Casimiro Menut e do deputado Wasna Papai Danfa.

Os três seguiam na viatura do secretário de Estado, que acusou um civil, que estava acompanhado da polícia, de ter colocado as armas no interior do seu veículo.

“Vimos um senhor de estatura baixa, igualmente trajado à civil, a introduzir dentro da minha viatura um saco (tipo saco de arroz) com armas, que suponho AK, pela ponta que era visível no saco”, refere numa explicação sobre o ocorrido, divulgada nas redes sociais, o antigo secretário de Estado.

O deputado guineense Wasna Papai Danfa questionou também as razões pelas quais as forças de segurança só detiveram Armando Correia Dias, quando estavam os três na viatura.

Em maio, o deputado Marciano Indi, da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), também foi sequestrado e espancado, acabando por ser libertado depois da intervenção de Cipriano Cassamá.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos também tem denunciado as forças de segurança guineenses pela sua atuação junto da população, principalmente depois do início da pandemia provocada pelo novo coronavírus, cujos primeiros casos foram detetados no país em março.

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