“Falta ouvir mais três pessoas, incluindo Manuel Pinto da Costa”, disse a fonte, que não avançou a data para estas três audições, mas que, segundo a mesma, “poderão ocorrer no mesmo dia ou, quando muito, em dois dias”.

A fonte adianta ainda que depois de concluir as audições “será feito um relatório que será submetido à mesa do plenário da Assembleia Nacional” que tomará a decisão “que pode passar pelo seu envio para o tribunal em função das provas produzidas”.

As duas últimas pessoas a serem auscultadas foram o ex-Presidente da República Fradique de Menezes e Fernando Pereira, conhecido como ‘Cobó’, que desmentiu qualquer envolvimento do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada no golpe de Estado de 2003.

“Eu falei pura e simplesmente a verdade e a verdade é que em momento nenhum o cidadão Patrice Trovoada foi tido e achado nesse golpe. Não houve lista nenhuma de assassinatos, não houve nomes, não houve nada, isso ultrapassa o limite do absurdo”, declarou Fernando Pereira, remetendo para ‘Peter’ Lopes “o esclarecimento sobre tudo quanto disse” na sua página de Facebook.

‘Cobó’ foi um dos principais protagonistas do golpe de Estado de 2003: depois de elementos do ‘Batalhão Búfalo’ terem prendido vários dirigentes, que levaram para o quartel-general das Forças Armadas, foi ele quem assumiu a liderança dos acontecimentos, incluindo como porta-voz, durante as negociações para a aprovação da amnistia.

“Não posso fazer afirmações nenhumas sobre aquilo que não existiu”, reafirmou, sublinhando que “foi um ato que passou, foi amnistiado e enquanto cidadão e pessoa quero esquecer isso, se bem que isso marca”.

“Durante o ato e mesmo depois do ato nunca, nunca foi mencionado o nome do cidadão Patrice Trovoada nessa questão”, disse Fernando Pereira, lamentando: “Muitos anos depois aparece essa declaração do cidadão ‘Peter’ e outras especulações que não estão fundadas, que ninguém apresenta provas. Eu não posso assumir dizendo que terá havido qualquer coisa”.

“Eu quero estar em paz comigo e com todas as pessoas e esquecer-me disto”, acrescentou.

No mesmo sentido foi o depoimento, na quarta-feira, do ex-comandante dos ‘Búfalos’ Arlécio Costa.

“O grupo dos ‘Búfalos’ nunca, em momento nenhum, teve um contrato nem acordo com o doutor Patrice Trovoada. Não tenho nenhum problema, estou aqui para falar a verdade”, disse, deixando um apelo aos dirigentes de São Tomé e Príncipe: “Têm de começar a entender: informar com verdade, fazer política com verdade. A mentira tem perna curta”.

Também esta semana, foi ouvido o atual ministro da Defesa e Ordem Interna, Óscar Sousa, que ocupava o mesmo cargo em 2003, que disse acreditar que Patrice Trovoada foi o mentor do golpe, apesar de desconhecer se foi o antigo chefe do governo quem financiou os atos.

Também ouvido pela CPI, o então procurador-geral da República são-tomense, Adelino Pereira, considerou que este procedimento é extemporâneo, recordando que pouco tempo depois do golpe, todos os envolvidos foram amnistiados.

A CPI foi criada pela Assembleia Nacional (parlamento) por uma resolução parlamentar em fevereiro passado, com 30 votos a favor das bancadas do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), da coligação PCD-UDD-MDFM e dos dois deputados independentes do Movimento por Caué, contra 23 da Ação Democrática Independente (partido de Patrice Trovoada, agora na oposição) para apurar um alegado envolvimento do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada no golpe de Estado de 2003 em São Tomé.

Em 2017, um elemento do extinto ‘Batalhão Búfalo’ sul-africano, Plácido ‘Peter’ Lopes, publicou um vídeo na sua página de rede social Facebook afirmando que Patrice Trovoada foi o financiador do golpe e deu ordens para assassinar os ex-Presidentes Manuel Pinto da Costa e Fradique de Menezes e o ministro Óscar Sousa.

A CPI tinha uma prazo inicial de 45 dias para concluir as investigações, mas pediu mais 60 dias, de acordo com a mesma fonte.

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