“O PD continua a defender o diálogo, uma postura de abertura política entre os partidos políticos. Nesta situação, sentimos uma responsabilidade de abrir comunicações com os partidos políticos para ver a melhor forma de ultrapassar esta crise que estamos a encarar”, explicou o secretário-geral do PD, António da Conceição, depois do encontro.

Por sua vez, o secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, indicou que se tratou de “abrir um canal para criar um (…) novo clima de confiança” já que “sem clima de confiança não há alianças”.

Alkatiri reiterou que apesar de querer ajudar a solucionar o impasse, a Fretilin não quer entrar para o Governo agora. “A Fretilin forma Governo em 2023 não em 2020″, sublinhou.

António da Conceição liderou uma delegação do PD que visitou a sede da Fretilin. Em seguida, vai reunir-se com o presidente da maior força do atual Governo, o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), Xanana Gusmão.

“Abrimos a comunicação política. Enviámos cartas à Fretilin e ao CNRT para abrir comunicação política na busca de entendimento”, acrescentou Conceição.

Na segunda-feira, o antigo Presidente timorense José Ramos-Horta mostrou-se confiante, em declarações à Lusa, que uma nova coligação governativa possa ser encontrada nos próximos dias, na sequência de “contactos intensos” com o CNRT.

Ramos-Horta afirmou que em cima da mesa está uma coligação liderada pelo CNRT com as restantes forças parlamentares mais pequenas e que excluiria o Partido Libertação Popular (PLP), do atual primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, e a Fretilin.

Questionado sobre esse assunto, António da Conceição disse que o PD ainda está “neste processo de comunicações”.

“Ainda não assinamos nenhum acordo e estamos na fase de abertura de comunicações políticas”, reiterou.

Questionado sobre a forma de solucionar a crise, Alkatiri considerou que “primeiro” o líder do CNR tem de resolver com o Presidente de Timor-Leste a questão da não nomeação de uma dezena de membros indigitados para o atual Governo, e que não foram empossados.

“Eles têm de resolver. Se eles resolverem o problema isso facilita a situação e resolve-se tudo rapidamente”, afirmou.

“Segundo, quando se fazem alianças tem que haver respeito pelas pessoas, não se podem usar como instrumento. A aliança é uma parceria, sejam grandes ou pequenos, tem de haver parceria, não instrumento”, sublinhou.

E ironizou sobre o facto do seu Governo minoritário, que tomou posse depois das eleições de 2017, ser apontado por não garantir estabilidade, dada a atual crise num Governo apoiado por uma coligação que obteve maioria absoluta.

“A maioria implodiu. Agora dizem que a culpa é do PR [Presidente da República de Timor-Leste]. Então resolvam com o PR. A estabilidade não depende de maioria ou minoria, mas sim da forma como a maioria trata a minoria”, considerou.

Alkatiri reiterou que a Fretilin quer ajudar a criar um clima de confiança e diálogo, mas que não quer entrar para o Governo.

“A Fretilin não vai passar cheque em branco e não está interessada em fazer o assalto ao poder neste momento. Mas pelo sentido de Estado que a Fretilin sempre teve, não pode colocar-se fora da questão porque a crise afeta a vida do povo”, destacou.

“A Fretilin não precisa de coligação para trabalhar. A Fretilin é aliada do povo e tem sentido de responsabilidade e tem de procurar com todos uma solução para sair deste impasse”, sublinhou.

Por seu lado, António da Conceição frisou a urgência de se resolver a situação atual, numa alusão ao prazo de 60 dias sem Orçamento Geral do Estado (OGE), previsto na Constituição.

“É nossa responsabilidade não deixar que esses 60 dias desapareçam em vão e temos de dar resposta à situação. Caso contrário estamos a alargar o sofrimento do povo e não assumimos a nossa responsabilidade como partidos políticos”, afirmou.

O responsável do PD insistiu que se deve a todo o custo “evitar eleições antecipadas” porque “o povo está mais que saturado com a situação”, vive cada vez mais preocupações e cabe aos partidos “assumir a responsabilidade”.

Ambos os partidos afirmaram estar prontos para novas eleições, caso seja essa a solução final, com Alkatiri a dizer que em Timor-Leste essa não pode ser a solução sempre que há problemas.

“Não podemos andar nisto. Crise que não se consegue resolver: eleições”, disse, afirmando que, ao contrário de países mais consolidados, as eleições afetam diretamente a administração pública e isso “afeta diretamente a vida do povo”.

Publicidade