“Por parte do PLP, a nossa posição já está clara, sobre a necessidade de viabilizar uma nova oportunidade em que os partidos políticos sejam responsabilizados”, disse à Lusa Maria Angelina Sarmento, 3.ª vice-presidente do PLP.

Os vice-presidentes da Comissão Política Nacional do partido Angelina Sarmento e Francisco Vasconcelos reuniram-se hoje com o secretário-geral adjunto da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), José Reis, na sede deste último, em Díli.

Uma reunião, explicou, que surgiu na sequência do apelo do Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo, para que os partidos com assento parlamentar tentassem “dialogar e procurar solucionar o impasse político”.

Este primeiro encontro, disse, pretendeu explorar com a Fretilin “ideias de como solucionar o impasse político e estabelecer confiança entre os dois partidos políticos para poder procurar soluções alternativas”.

Uma questão, recordou, que se torna premente por estar em vigor um regime duodecimal e terminar no início de março o prazo de 60 dias sem Orçamento Geral do Estado (OGE) que a constituição define como possível justificação para dissolver o parlamento.

“Os partidos têm de ter uma solução o mais rápida possível para solucionar o impasse. Vamos ver quais são as ações para outras fases e para também procurar soluções mais adequadas”, disse.

Considerando que é possível uma nova coligação de Governo, Angelina Sarmento disse que isso exige que os partidos “comuniquem” e façam uma aproximação “para assegurar uma maioria parlamentar” que permita uma “nova conjuntura” no Parlamento Nacional.

Escusando-se a avançar pormenores sobre a possível solução, Angelina Sarmento — que é vice-presidente do parlamento — disse que o PLP e a Fretilin chegaram a um consenso “sobre quais são as próximas fases” de diálogo entre os dois partidos.

Acertaram também em “convidar outros partidos políticos, que possam viabilizar, se houver uma nova coligação”, referiu, explicando que o PLP se vai encontrar em breve com o PD.

Questionada sobre uma nova colaboração política com o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) — força política liderada por Xanana Gusmão e maior parte da coligação pré-eleitoral que suporta o atual Governo — Angelina Sarmento, descartou essa possibilidade.

“Como todos sabemos, a posição do presidente do partido [CNRT], que se pronunciou depois do chumbo do Orçamento Geral do Estado (OGE), foi de que o CNRT já não viabiliza o Governo, de que a AMP já não existe de facto, politicamente já não existe”, disse.

A Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) venceu as eleições antecipadas de 2018, tendo-se apresentado como uma coligação pré-eleitoral do CNRT, do PLP e do Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO).

A coligação viveu desde o inicio do mandato sempre com tensão, com o Presidente da República, Francisco Guterres Lu-Olo, a recusar dar posse a 12 membros indigitados pelo primeiro-ministro, Taur Matan Ruak.

Uma tensão que se intensificou depois das criticas a uma primeira proposta de OGE para 2020, retirada antes de ser votada no parlamento e o chumbo — com abstenções e votos contra de deputados do CNRT — da segunda proposta.

Sarmento recordou que Taur Matan Ruak, presidente do PLP, está a fazer um esforço “para que o Governo possa continuar e completar os dois anos e meio que restam do mandato”.

A crise política teve também um efeito de desgaste no próprio PLP, com criticas públicas de deputados do partido ao Governo.

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