“Apelo aos deputados de todos os partidos sem distinção para que, enquanto representantes do povo guineense e com espírito suprapartidário e patriótico, assumamos o nosso papel com suprema responsabilidade, tenacidade e sapiência nas funções que nos incumbem na defesa intransigente da legalidade constitucional e democrática”, afirmou Agnelo Regala, líder da União para a Mudança.

Sem querer encontrar “bodes expiatórios”, Agnelo Regala disse que é preciso todos porem a “mão na consciência”, analisar os passos dados e ter a “coragem de aprender com as lições do passado”.

“Este deve ser o tempo para que o bom senso impere e para procurar soluções que permitam resolver impasses e criar condições para que haja estabilidade governativa. Para que tudo isso seja possível, o diálogo e concertação permanente devem existir”, considerou.

Agnelo Regala, atual ministro da Presidência do Conselho de Ministros e Assuntos Parlamentares, alertou também para o perigo da “exacerbação de pertenças políticas, étnicas, culturais, religiosas ou outras que possam pôr em causa a unidade dos guineenses em nome muitas vezes de meros interesses mesquinhos”.

“A Assembleia Nacional Popular entra na X legislatura com o país ainda mergulhado numa crise política institucional que mesmo os diferentes acordos estabelecidos na transição não conseguiram resolver colocando numa encruzilhada que só poderá ser ultrapassada com a colaboração de todos na defesa dos supremos interesses da Nação guineense”, afirmou.

Para Iaia Djaló, presidente do Partido da Nova Democracia, a Guiné-Bissau passa por um “momento de incerteza e receios”.

“Basta olharmos para a abstenção das eleições. Registam-se igualmente sintomas de intolerância, indiferença cívica, desconfiança entre cidadãos e instituições da República, desconfiança política, e tendências regionalistas, tribalistas, étnicas e religiosas, que podem pôr em causa a própria fundação do Estado”, alertou.

O atual ministro da Justiça pediu a todos os deputados uma “reflexão profunda” e o maior empenho e patriotismo, salientando que a situação é grave do ponto de vista económica e social.

“A Guiné-Bissau já não pode perder mais tempo, a nova geração, cada vez mais ambiciosa, não nos vai perdoar por novos erros, a hora é de mudança”, defendeu.

Nuno Nabian, presidente da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau, pediu um debate de ideias construtivas, principalmente nas grandes reformas políticas e constitucionais.

“A APU acredita que o exercício parlamentar deve ser um espaço de debate de ideias para tirar ilações positivas que contribuam para o desenvolvimento do país”, afirmou, salientando que é preciso combater a corrupção, o clientelismo e o nepotismo para que haja desenvolvimento no país.

A União para a Mudança, o Partido da Nova Democracia e a APU-PDGB, juntamente com o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), assinaram um acordo de incidência parlamentar e governativa, que lhes permite ter a maioria do parlamento guineense com 54 deputados.

Os 102 deputados eleitos nas eleições legislativas de 10 de março na Guiné-Bissau tomaram hoje posse numa cerimónia que decorreu numa unidade hoteleira em Bissau, na capital do país, devido a obras no parlamento, na presença de vários elementos da comunidade internacional.

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