Patrice Emery Trovoada, Político Irresponsável e Inconsequente

A Opinião de Alcídio Montoya Pereira

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Alcídio Montoya Pereira, são-tomense, economista.

A forma como Patrice Emery Trovoada insiste em não reconhecer que o seu projeto de poder pessoal foi estrondosamente rejeitado pelo povo de São Tomé e do Príncipe deve ser motivo de muita preocupação para todos os santomenses.

O derrotado e acossado Patrice Trovoada agarra-se ao poder que nem lapa às rochas, embora insista em afirmar o contrário, esquecendo-se que mais importante do aquilo que se diz é o que se faz.

Um bom político e patriota tem de saber ler e interpretar os anseios do seu povo e não hesitar em sacrificar os seus interesses pessoais e os dos seus correligionários e seguidores, ainda que legítimos, em nome dos superiores interesses da nação.

O ainda primeiro-ministro pode invocar a Lei, mas não se pode esquecer que a sua atuação nestes últimos 4 anos não é vista pela sociedade como exemplo de cumprimento das leis da nação, bem pelo contrário. Ele foi avisado das consequências do assalto que perpetrou aos tribunais (incluindo o STJ), da intempestiva instituição do Tribunal Constitucional e da vergonha nacional que foi o processo Rosema. Agiu sem cuidar obter os consensos necessários, pelo que não pode esperar que a oposição aceite de ânimo leve decisões de tribunais que não oferecem garantias de isenção nas suas decisões. A confiança e respeito não se impõem. Conquistam-se e merecem-se.

Presentemente os tribunais são vistos como órgãos politicamente controlados pelo ADI e pelo seu líder, daí resultando que qualquer decisão desse órgão de soberania que beneficie esse partido (ADI) no apuramento final de resultados para definição de mandatos para a Assembleia Nacional dificilmente poderá ser acatada pacificamente pelos partidos da oposição. Não é justo que se peça à sociedade que respeite leis e um quadro constitucional que estão manifestamente subvertidos para alimentar o projeto de poder pessoal de Patrice Emery Trovoada.

Por isso, o cidadão e ainda primeiro-ministro do país, Patrice Emery Trovoada, deve ter a plena consciência de que será o único responsável por um eventual derramamento de sangue dos seus conterrâneos se insistir em não interpretar adequadamente e a respeitar a vontade nacional inequivocamente expressa nos resultados das eleições de 07/10/2018.

A oposição não é a agressora, mas sim a vítima. Por favor, não insistam em inverter os papéis.

Respeitamos e agradecemos os bons ofícios da Comunidade Internacional, mas não nos peçam para sacrificarmos a nossa liberdade só para não estragar a hora de jantar nos países desenvolvidos.

Cidadania com responsabilidade.

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