Patrice Trovoada já pensa “Mais além”

A Opinião de Leoter Viegas

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Leoter Viegas, são-tomense, economista

Os resultados eleitorais do dia 7 de outubro mostram que os santomenses não querem a continuidade do governo do Patrice Trovoada. Vários fatores contribuíram para chumbo dos santomenses ao governo do ADI, mas, não vale a pena descrevê-los aqui.

Os resultados eleitorais obrigam a criação de um governo formado por MLSTP e a coligação PCD/MDFM-UDD. Essa futura coligação faz-nos lembrar a anterior coligação governamental apelidada, com alguma ironia, de troika santomense.

A realidade atual tem alguma semelhança com o que se passou entre 2012 e 2014. Nessa altura (2012), o governo da ADI caiu através de uma moção de censura no parlamento, o partido ficou extremamente chateado e ressabiado, resolveu adotar uma estratégia de guerrilha, o líder usou o argumento de perseguição para auto exilar-se no exterior do país e, a partir daí, fez uma oposição implacável ao governo da chamada troika e contra os principais dirigentes do país. Dois anos depois (em 2014), o líder da ADI teve um regresso triunfal ao país e ao poder, conseguiu, através do voto dos santomenses, uma maioria absoluta e confortável.

O primeiro grande desafio do futuro governo, e com maior responsabilidade para MLSTP, é mudar o curso da história. O líder do MLSTP e futuro primeiro ministro deve ter a serenidade, a capacidade e a inteligência suficiente para resistir a tentação de colocar no governo pessoas que durante várias décadas giraram em torno do poder cuja a imagem pública, e aos olhos dos santomenses, está manifestamente desgastada. É necessário um governo forte, competente e formado por gente com um espírito de missão, que é servir o país e não servir-se do país. Nesse governo deve estar incluído o líder da coligação PCD/MDFM-UDD e esta coligação governamental deve estender-se às eleições presidenciais de 2021. O maior erro a ser evitado é apresentarem vários candidatos presidenciais.

O maior slogan da campanha da ADI foi “mais além”. Escusado será dizer que o ainda primeiro ministro, líder ADI e o futuro líder da oposição já pensa “mais além”. Obviamente será candidato, e um candidato natural, às eleições presidenciais de 2021. Não tenhamos dúvidas, Patrice Trovoada será um candidato extremamente difícil de derrotar nas presidenciais 2021. Patrice Trovoada vale muito mais do que ADI. Estou convicto que a estratégia do Patrice Trovoada, neste momento, não passa por governar o país, mas sim, fazer passar a ideia que o MLSTP e a coligação estão a criar a instabilidade política e social, de forma a preparar o seu próprio caminho, a médio prazo, para as presidenciais.

O segundo grande desafio da coligação MLSTP e PCD/MDFM-UDD, outra vez com maior responsabilidade para o MLSTP, é encontrar uma personalidade com perfil adequado para defrontar Patrice Trovoada nas próximas presidenciais. Aí é que a situação complica. Existe no seio do MLSTP muitas tendências, e se essas tendências não colocarem em primeiro lugar os interesses coletivos em detrimento dos interesses individuais, poderemos vir a ser confrontados, a médio prazo, com um filme já visto: primeiro, regresso triunfal do Patrice Trovoada ao poder em 2021 (Presidente da República) e, segundo, da ADI ao governo em 2023.

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