“Os artefactos da cultura africana podem fazer parte da nossa exposição que tem por objectivo mostrar a etnografia de todo o mundo”

Máscaras e peças da cultura cokwe vão fazer parte de uma exposição temporária no Museu Humboldt-Forum, em Berlim, Alemanha, a partir do segundo semestre de 2019, garantiu quinta-feira à imprensa, na cidade do Dundo, o embaixador daquele país europeu em Angola, Dirk Lolke.

O embaixador da Alemanha, que efectuou uma visita de dois dias à cidade do Dundo, disse que a exposição de peças africanas, sobretudo da cultura cokwe, no Museu Etnográfico de Berlim, faz parte da cooperação que a Alemanha pretende rubricar com as autoridades culturais angolanas, no sentido de existirem trocas de experiências no campo de Antropologia e Etnografia.

O embaixador anunciou a vinda, em Dezembro, a Angola de especialistas alemães em Museologia, que se vão deslocar à província da Lunda-Norte para em conjunto com os responsáveis do Museu Regional do Dundo estudarem e seleccionarem as peças que devem estar presentes na exposição em Berlim.

Dirk Lolke disse que o intercâmbio vai permitir também que os estudiosos de Angola possam deslocar-se à Alemanha e criar peças de esculturas originais para a exposição.

O embaixador da Alemanha reconheceu o valor internacional das esculturas da região do nordeste de Angola, tendo confessado que a cultura cokwe é uma das mais ricas de África.

As esculturas muhongo, muquixi wa mwata, a máscara mwana pwó, samanhonga, kuku e outros artefactos do povo que vive no leste de Angola, que pertencem ao acervo do Museu do Dundo, podem fazer parte das colecções do Museu Etnográfico da capital alemã, segundo o embaixador Dirk Lolke.

“Esses e outros artefactos da cultura africana podem fazer parte da nossa exposição que tem por objectivo mostrar a etnografia de todo o mundo”, disse o diplomata alemão.

Antes de se deslocar à cidade do Dundo, o embaixador da Alemanha foi recebido em audiência pela ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, e visitou o Museu Nacional de Antropologia, em Luanda.

Dirk Lolke explicou que é intenção das entidades alemãs ter num só sítio esculturas e máscaras que representem os povos dos quatro cantos do globo, principalmente os dos continentes africano, asiático, Oceânia e americano. “O objectivo dessa iniciativa é homenagear os povos de todo o mundo, com excepção do nosso continente (europeu)”, enfatizou.

Visita satisfaz autoridades

O director em exercício do Gabinete Provincial da Cultura na Lunda-Norte mostrou-se satisfeito com a visita do embaixador alemão ao Museu Regional do Dundo, sobretudo, com a intenção de se avançar na cooperação na área de cultura com o Governo da Alemanha.

José Fernando Pinto disse que a cultura angolana tem muito a ganhar com essa cooperação, visto que “é a imagem de Angola e do povo lunda-cokwe, em particular que vai ser exposta a nível mundial.”

O responsável sugeriu uma cooperação que possa abranger também as áreas das ciências e disciplinas de Antropologia, visto que o Museu do Dundo é multidisciplinar, agregando áreas de História, Etnografia e Biologia.

“Temos algumas peças do Museu do Dundo que se encontram na Alemanha e esta cooperação vai ampliar e fortalecer actividades de estudo e pesquisa da etnologia dos povos da região do nordeste de Angola”, enfatizou José Fernando Pinto.

O Museu do Dundo foi criado em 1936 pela Ex-Companhia de Diamantes de Angola “Diamang”, a partir da colecção pessoal de José Redinha, funcionário administrativo do Tchitato, com peças africanas da região da Lunda. O referido espaço teve inicialmente a designação de “Museu Gentílico”.

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