Pelo menos nove pessoas morreram hoje esmagadas e sete ficaram feridas durante uma intervenção da polícia numa grande festa na favela de Paraisópolis, em São Paulo, Brasil, anunciou a polícia local.

A intervenção aconteceu durante uma festa de `funk`, uma dança popular entre as comunidades suburbanas do Brasil, realizada em Paraisópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, onde vivem mais de 55.000 pessoas.

Segundo o boletim de ocorrências da polícia, os agentes estavam a perseguir duas pessoas que se deslocavam de motorizada em Paraisópolis, quando estes dispararam contra a polícia e fugiram para o meio da festa, onde se encontravam mais de 5.000 pessoas.

A polícia chamou, de imediato, reforços e entrou no local as pessoas estavam a dançar.

Segundo a versão das autoridades, os agentes da polícia foram recebidos com pedras e garrafas, pelo que as equipas da Força Tática da Polícia Militar usaram “munições químicas” para “dispersar e [conseguir manter] a segurança dos agentes”, como consta de um relatório oficial ao qual a agência de notícias espanhola Efe teve acesso.

O comissário de polícia Emiliano da Silva Neto disse aos jornalistas que as mortes aconteceram em resultado de “um acidente” causado pelo “efeito rebanho” e enfatizou que, em princípio, “não houve nenhum excesso” cometido pela polícia.

O governador do Estado de São Paulo, João Dória, lamentou a tragédia através das redes sociais e determinou uma “rigorosa investigação dos factos para esclarecer quais eram as circunstâncias e de quem foi a responsabilidade pelo triste episódio”.

Alguns dos moradores da favela em causa admitiram que há várias famílias na comunidade que “estão desesperadas” porque os seus filhos estavam na festa e ainda não voltaram para casa.

As festas de `funk` carioca – um estilo musical associado às favelas do Rio de Janeiro – são comuns nos bairros mais pobres do Brasil e reúnem, todos os fins de semana, milhares de jovens em diferentes partes do país.

Este tipo de festa é frequente em Paraisópolis, uma enorme favela que faz fronteira com um dos bairros mais ricos da capital São Paulo.

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