De acordo com a mesma fonte, que foi mandatada pela Direção-Geral do Património Cultural para tentar comprar o quadro em nome do Estado português, “não foi possível adquirir a obra”.

O quadro, vendido através da leiloeira Plückbaum, tinha uma base de licitação de 25 mil euros, e era até agora desconhecido.

De acordo com o sítio ‘online’ da leiloeira, a pintura tem uma dimensão de 23 por 29 centímetros, e foi feita sobre placa de cobre, mostrando a Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo a ser saudado por outras mulheres com crianças.

A obra está assinada pela artista, nascida em Sevilha, em 1630, e que veio viver em Portugal, onde viria a falecer, em 1684, em Óbidos, onde residia, tendo-se destacado pelo seu talento como pintora.

Na informação da leiloeira era referido o historiador de arte Joaquim Oliveira Caetano, curador de Pintura do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), que passará a dirigir, a partir deste mês de junho, e onde foi um dos comissários da exposição dedicada à artista, em 2015, intitulada “Josefa de Óbidos e a Invenção do Barroco Português”.

O especialista disse ao jornal Público esta semana que existem peças de Josefa de Óbidos desaparecidas, das quais existem imagens, mas desta, em particular, não havia qualquer referência.

O catálogo alemão indicava apenas que a peça foi propriedade de uma coleção privada alemã, que terá sido adquirida “provavelmente” na década de 1980, mas o seu percurso em pormenor é desconhecido.

Josefa de Óbidos aprendeu o ofício com o pai, Baltazar Gomes Figueira, com quem trabalhou na sua oficina, e recebeu educação religiosa no Convento de Santa Ana, em Coimbra, entre 1644 e 1646, passando a residir em Óbidos a partir desse ano.

O quadro surge no ‘site’ da leiloeira alemã sob o título ‘Anbetung des Kindes’ (‘Adoração do Menino’, em tradução livre), e indica ainda que não está dada como roubada ou desaparecida na plataforma internacional Art Loss Register.

A obra da pintora está representada no Museu do Louvre, em Paris, com o quadro “Maria Madalena”, também conhecido por ‘A Penitente Madalena Consolada Por Anjos’, comprada num leilão em Nova Iorque pelo galerista de arte lusodescendente Philippe Mendes, por 236 mil euros, e doada ao museu, onde fora curador.

Também o Museu da Misericórdia do Porto tem um quadro de Josefa d’Óbidos, ‘A Sagrada Família com São João Batista, Santa Isabel e Anjos’, igualmente adquirido num leilão em Nova Iorque, por 228 mil euros.

Dos quadros-chave na obra da pintora, destacam-se ainda ‘Maria Madalena’ e ‘Lactação de S. Bernardo’, na coleção do Museu Nacional Machado de Castro, ‘Cordeiro Místico’, no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, e ‘Cordeiro Pascal’, no Museu Nacional Frei Bartolomeu do Cenáculo, em Évora, que também detém algumas naturezas mortas, assim como peças como ‘Transverberação de Santa Teresa’ e ‘Sagrada Família’ e ‘Calvário’, na posse da Igreja ou da Misericórdia.

O Museu de Arte Walters, de Baltimore, nos Estados Unidos, tem no seu acervo e em exposição permanente o ‘Cordeiro Sacrificial’, pintura adquirida em Roma, no início do século XX, pelo fundador da instituição, Henry Walters.

No Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, encontra-se o maior acervo de obras de Josefa de Óbidos, 15 no total, que foram integradas na exposição dedicada à pintora, há quatro anos, ‘Josefa de Óbidos e a Invenção do Barroco Português’.

Em 1991, a Galeria D. Luís, no Palácio Nacional da Ajuda, acolhera a mostra ‘Josefa de Óbidos e o Tempo Barroco’ e, em 1997, o National Museum of Women in the Arts, em Washington DC, nos Estados Unidos, dedicara à artista a exposição ‘Sagrado e Profano: Josefa de Óbidos de Portugal’.

A primeira exposição conhecida com obras da artista remonta ao final da década de 1940, no MNAA, com a reunião de pinturas do seu acervo.

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