A directora da Casa da Cultura, Patrícia Faria, disse ao Jornal de Angola que com os centros culturais encerrados, a saída tem sido conquistar a audiência dos internautas, com programações criativas e atractivas online, transmitidas em várias plataformas digitais. Para isso, acrescentou, foi criado no espaço todas as condições para a realização de “directos”, como forma de dar continuidade a programação cultural.

A intenção, explicou, é continuar a cumprir com as orientações do Executivo e, também, criar condições para promover os projectos e as actividades culturais do espaço. “Graças às plataformas digitais temos conseguido exibir desde concertos a exposição de obras de arte, aulas de canto e de língua portuguesa. Apesar de sabermos que os resultados não serão os mesmos, estamos convictos de estarmos a contribuir para a massificação das actividades artísticas”.

A pandemia, acrescentou, veio alterar toda a dinâmica cultural do mundo. “Agora todos estamos virados para as ferramentas virtuais e temos criado condições para dar resposta a toda essa nova forma de fazer cultura”, adiantou. Os agentes culturais, ressaltou, estão condicionados na promoção das actividades artísticas e a Casa da Cultura do Rangel não foi excepção. Um dos entraves da pandemia, revelou, foi o segundo seminário sobre o semba, que teve de ser adiado. No ano passado, recordou, o seminário analisou “A dimensão cultural da música angolana na vertente semba”.

Neste edição, a ideia era “resgatar e reafirmar a importância histórica, cultural e social do semba, tido como um dos estilos populares urbanos mais executados de Angola”, no âmbito do projecto “Tem um Semba em todo o Canto”.

Desafios da feira

Patrícia Faria informou ainda que, devido à pandemia e às medidas de restrição, a terceira edição da Feira do Livro e das Artes está condicionada. A iniciativa, acrescentou, prevê a participação de editoras nacionais, que trariam livros, desde os literários aos didácticos, para vários leitores. O objectivo, disse, é incentivar, nas famílias, o resgate do hábito de partilha das pequenas coisas, “numa perspectiva de socialização, no actual contexto em que todos somos obrigados a viver”.

O programa, comunicou, tem previsto a realização de exposição e venda de livros e obras de arte, espectáculos de música e dança tradicional, assim como seminário de pintura e a famosa corrida dos bebés. Durante este tempo, a Casa da Cultura pretende, de forma a preparar o público para a feira, incluir na grelha de programação dos “lives” encontros de incentivo ao hábito e gosto pela leitura e pelas artes.

O ano passado, lembrou, foi feito, na feira, o lançamento do projecto sociocultural “Saber falar, saber ler, saber escrever”, que tem envolvido ao longo de um ano, alunos das escolas do Distrito Urbano do Rangel.

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