A posição foi assumida por Ulisses Correia e Silva ao ser questionado pela agência de notícias Lusa à margem da sessão solene comemorativa do dia da Liberdade e da Democracia, que assinala a realização, em 13 de janeiro de 1991, das primeiras eleições multipartidárias no país.

“Nós somos um povo pacífico, tranquilo, tolerante, e eu espero que isto continue e vingar no essencial das nossas relações sociais”, afirmou o primeiro-ministro.

No sábado, uma marcha apresentada como pacífica juntou mais de um milhar de pessoas a exigir, pelas ruas da Praia, justiça para o caso do estudante cabo-verdiano Luís Giovani, que morreu em 31 de dezembro após alegadas agressões em Bragança.

A manifestação acabou por ficar descontrolada junto à embaixada portuguesa na Praia, com os participantes a derrubarem várias barreiras policiais do perímetro de segurança até chegarem junto dos portões do edifício, com críticas a Portugal e às autoridades, além de queixas de racismo.

Seguiram-se outros momentos de tensão que levaram à mobilização do Corpo de Intervenção da Polícia Nacional, depois de os manifestantes irromperem pelo espaço exterior da Assembleia Nacional, chegarem à residência oficial do Presidente da República e seguindo depois para a residência oficial da embaixadora de Portugal em Cabo Verde, onde foram travados por um cordão policial.

Questionado pela Lusa, o primeiro-ministro reconheceu, a propósito do dia da Liberdade que se assinala hoje em Cabo Verde, feriado nacional, que estas manifestações “são também o produto da liberdade e da democracia” em Cabo Verde.

“E evidentemente que têm de ser feitas, realizadas, dentro do quadro de obediência às regras, às leias e à boa convivência social e democrática. Desde que se cumpram as regras não há problema nenhum”, disse.

No protesto de sábado, além das críticas às autoridades portuguesas, pela falta de explicação sobre o que aconteceu com o estudante cabo-verdiano do Instituto Politécnico de Bragança, alegadamente agredido em 21 de dezembro e que morreu 10 dias depois num hospital do Porto, os manifestantes criticaram igualmente as autoridades cabo-verdianas, pelo acompanhamento do caso de Luís Giovani, mas também pelas dificuldades económicas, sociais e de insegurança em Cabo Verde.

“Evitar depois utilizar momentos como esses para tentar criar apelos irracionais, intolerâncias ou situações que possam ser mais graves relativamente ao relacionamento com os órgãos de soberania”, apelou Ulisses Correia e Silva.

Além da Praia, realizaram-se em várias cidades de Cabo Verde e de Portugal manifestações e vigílias a exigir justiça para Luís Giovani, que morreu com 21 anos, dois meses depois de ter chegado a Bragança para estudar.

O caso, com contornos ainda não totalmente claros, está em investigação por parte da Polícia Judiciária portuguesa.

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