Nuno Nabian, que falava hoje numa conferência de imprensa de balanço dos 100 dias da sua governação, manifestou confiança na compreensão que deputados têm do desempenho do seu Governo.

“Os deputados vão perceber que estamos a fazer um bom trabalho a bem do povo, do país e de toda a gente, daí que não haverá razão para não votarem a favor do programa do Governo”, observou Nabian.

A sessão parlamentar do próximo dia 29 está envolta em polémica devido às disputas entre grupos de deputados sobre de que lado estará a maioria que poderá sustentar o Governo ou não.

A discussão do programa do Governo de Nuno Nabian, entregue ao parlamento desde o mês de maio, não faz parte dos pontos agendados para a sessão do dia 29, mas o grupo de deputados que apoia o executivo já requereu a análise ao documento.

O requerimento, regimentalmente previsto, foi dirigido ao plenário do parlamento, que caso o aceite irá superar uma rejeição que havia sido aprovada na comissão permanente do órgão.

Na conferência de imprensa de hoje, Nuno Nabian disse acreditar que a plenária vai admitir a discussão e vai aprovar o programa do seu Governo, contando com o voto da maioria de deputados que disse estar do lado do executivo.

A maioria parlamentar tem sido reclamada, por um lado, pelos partidos Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15), Partido da Renovação Social (PRS) e Assembleia do Povo Unido (APU-PDGB) e por outro, pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), APU-PDGB, União para a Mudança (UM) e Partido da Nova Democracia (PND).

A APU-PDGB é apontada como fazendo parte dos dois blocos, uma situação potenciada pelos desentendimentos entre o líder, Nuno Nabian, e quatro dos cinco deputados que o partido tem no parlamento.

A APU assinou inicialmente um acordo de incidência parlamentar com o PAIGC, vencedor das eleições legislativas para formar a maioria no hemiciclo e constituir Governo, entretanto demitido pelo Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, e mais tarde o partido renunciou ao compromisso e rubricou outro com o outro grupo.

Por várias ocasiões, Nuno Nabian afirmou que a APU já não se revê no acordo com o PAIGC, mas com o grupo constituído por Madem G-15 e PRS, mas também por diversas ocasiões os quatro deputados do seu partido reafirmam que continuam vinculados ao primeiro acordo.

Para determinar de que lado “está de facto” a maioria parlamentar, o líder daquele órgão, Cipriano Cassamá, anunciou que a sessão do dia 29 irá esclarecer as dúvidas.

Califa Seidi, líder da bancada parlamentar do PAIGC, considera o passo proposto por Cipriano Cassamá como desnecessário e contra o regime órgão, já que, disse, “a maioria é aferida logo no início e nunca no decurso da legislatura”.

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