“Foram 10 concidadãos que perderam a vida” depois de terem sido atacados com catanas, perto da localidade de Olumbi, a 45 quilómetros da sede do distrito de Palma, referiu Inácio Dina, porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), em conferência de imprensa, em Maputo.

Os crimes aconteceram em povoações situadas no meio rural, no meio do mato, sem eletricidade nem outras infraestruturas e em dois momentos distintos.

Primeiro, ao nascer do dia, na aldeia de 25 de Junho, o grupo cruzou-se com dois adolescentes, de 15 e 16 anos.

Os dois residentes seguiam a rotina e dirigiam-se para a caça de pequenos animais, para alimentação, quando morreram depois de terem sido intercetados pelos agressores.

Na mesma aldeia, o grupo, em número e com características não especificadas pela PRM, decapitou três adultos, referiu Inácio Dina.

Ao cair da noite, e numa altura em que a população da zona já estava em alerta, o grupo decapitou outras cinco pessoas residente na aldeia de Monjane, acrescentou.

Segundo o porta-voz, os indícios apontam para que os agressores façam parte do mesmo grupo que matou agentes da polícia com metralhadoras e sitiou a vila de Mocímboa da Praia durante dois dias em outubro de 2017 e que desde então tem feito ataques esporádicos em aldeias do meio rural da região.

“Este é um grupo que foi amplamente fragilizado”, referiu Inácio Dina, numa alusão à ação das forças de defesa e segurança naquela zona.

Os crimes de domingo representam “um total desespero, em tentar buscar algum protagonismo”, acrescentou, contrariando a ideia de que esta escalada de violência signifique um aumento da ameaça à segurança em Cabo Delgado.

Pelo contrário, refere, os agressores procuram “fazer vincar que este grupo ainda existe”, fazendo crer que “tem uma musculatura” que, segundo a PRM, não tem.

Um residente em Palma, sede de distrito, relatou à Lusa que hoje tem sido visível um movimento de pessoas pelas estradas e caminhos das zonas rurais para a vila, em busca de segurança.

“Presenciei essas deslocações ao longo da estrada” que liga Palma a Mocímboa da Praia, numa extensão de cerca de quarenta quilómetros, ao mesmo tempo que se nota “uma presença reforçada de militares”.

Uma investigação baseada em 125 entrevistas em Cabo Delgado, divulgada na última semana, concluiu que a destabilização é feita por células dispersas que usam o radicalismo islâmico para atrair seguidores, aos quais pagam rendimentos acima da média, financiados por rotas de comércio ilegal de madeira, rubis, carvão e marfim, daquela região para o estrangeiro.

Estes grupos incluem membros de movimentos radicais que têm sido perseguidos a norte pelas autoridades do Quénia e Tanzânia, refere o mesmo estudo, segundo o qual alguns elementos terão sido treinados por milícias da região dos Grandes Lagos que por sua vez também têm ligações ao grupo terrorista al-Shabaab, na Somália.

Os ataques surgiram numa altura em que estão a avançar os investimentos no terreno para exploração de gás natural em Cabo Delgado, prevendo-se que a produção arranque dentro de cinco a seis anos, no mar e em terra, com o envolvimento de algumas das grandes petrolíferas mundiais.

Publicidade