Em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério do Interior, Salvador Soares, explicou os contornos da detenção, no sábado, em Bissau, do empresário também conhecido por “N’dinho”, que é membro do Comité Central do PAIGC.

“No dia 20 do corrente mês foi intercetado numa viatura, em que seguiam duas pessoas, o empresário Armando Correia Dias na posse de duas armas AKM, quatro carregadores e um punhal”, afirmou o porta-voz do Ministério do Interior guineense.

Salvador Soares adiantou que aqueles dados constam do relatório que o departamento de investigação criminal da Polícia de Ordem Pública e Guarda Nacional já estava a conduzir contra Armando Dias, há vários dias.

“Foi detido para averiguações sobre a proveniência daquelas armas e o seu uso”, declarou Salvador Soares.

Sobre o facto de a detenção ter ocorrido sem qualquer mandado judicial, conforme relatou o seu advogado, Suleimane Cassamá, o porta-voz do Ministério do Interior defendeu que o empresário “foi apanhado em flagrante delito com as armas”.

Salvador Soares lembrou que se tinha esgotado o prazo dado pelo Estado-Maior General das Forças Armadas, 11 de junho, para que os cidadãos civis se apresentem naquela instituição para legalização de armas de fogo que possam ter.

Em relação à detenção do irmão do dirigente, o porta-voz do Ministério do Interior esclareceu que ocorreu porque este insultou e ameaçou a polícia no momento em que foi autorizado a visitar “N’Dinho”.

Salvador Soares não quis prestar mais esclarecimentos às questões levantadas pelos jornalistas sobre os contornos da detenção do empresário e dirigente do PAIGC, limitando-se a afirmar que o processo se encontra em segredo de justiça.

Assinalou que os processos dos dois irmãos serão encaminhados ainda hoje para o Ministério Público.

Armando Correia Dias foi detido quando estava acompanhado do antigo secretário de Estado Anaximandro Zylene Casimiro Menut e do deputado Wasna Papai Danfa.

Os três seguiam na viatura do secretário de Estado, que acusou um civil, que estava acompanhado da polícia, de ter colocado as armas no interior do seu veículo.

“Vimos um senhor de estatura baixa, igualmente trajado à civil, a introduzir dentro da minha viatura um saco (tipo saco de arroz) com armas, que suponho AK, pela ponta que era visível no saco”, refere numa explicação sobre o ocorrido, divulgada nas redes sociais, o antigo secretário de Estado.

O deputado guineense Wasna Papai Danfa questionou também as razões pelas quais as forças de segurança só detiveram N’Dinho, quando estavam os três na viatura.

Segundo o advogado, o dirigente político deverá ser presente hoje a tribunal.

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